Apesar de atraso, referendo venezuelano não tem transtornos

Cerca de 77% dos centros eleitorais estão funcionando; 16 milhões devem decidir reeleição ilimitada de Chávez

Agências internacionais,

15 de fevereiro de 2009 | 13h18

Cerca de 77% dos centros eleitorais estavam funcionando na tarde deste domingo, 15, para a votação no referendo na Venezuela, afirmou Sandra Oblitas, diretora do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A hora de abertura dos centros estava marcada para 6h (7h30 de Brasília), mas houve atrasos em alguns deles, devido à falta de membros de mesa ou por outros tipos de inconvenientes. Todas as informações indicam que, com exceção de alguns incidentes menores, como exibir símbolos partidários, proibido desde a meia-noite da sexta-feira, a votação está ocorrendo normalmente.   Moradores das principais cidades da Venezuela despertaram às 5h deste domingo (hora local, 6h30 em Brasília) ao som de queimas de fogos e do toque de uma marcha militar que chamava os eleitores a participar do referendo que deve decidir sobre o fim do limite à reeleição no país, informou a BBC. Cerca de 16 milhões de venezuelanos devem ir às urnas.   Veja também: Eurodeputado acusa Chávez de 'arrasar liberdade' A dinastia Chávez  Conheça os programas sociais apoiados por Chávez Veja os possíveis cenários criados pelo referendo Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez   O presidente Hugo Chávez, no poder desde 1999, busca a oportunidade de concorrer a um novo mandato quando terminar seu atual, em 2012. As últimas pesquisas de quatro institutos diferentes, divulgadas na semana passada, preveem a vitória do "sim", por diferentes margens. Outra sondagem, do Instituto Datanálisis, revelada pela revista colombiana Cambio nesta sexta-feira, registrava empate técnico, com ligeira vantagem do "sim."   Em um referendo de dezembro de 2007, a população rechaçou, por margem estreita - 50,71% a 49,29% -, uma reforma eleitoral que permitiria as reeleições indefinidas. Foi a primeira derrota eleitoral de Chávez desde sua ascensão ao poder. A votação deve terminar às 19h30. A boca-de-urna é proibida no país antes dos primeiros resultados oficiais, que devem começar a sair no fim na noite deste domingo.   No leste de Caracas, onde vive a maioria dos opositores ao governo, as filas começaram a se formar ainda na madrugada. "Esta é a última chance que temos para mudar esse país. Senão, acabou, não nos livraremos mais deste presidente", disse o comerciante Alécio Zerpa.   Ele conta que desde que Chávez chegou ao poder a propriedade privada deixou de ser respeitada na Venezuela. "Eu tinha uma fazenda no Estado de Apure (fronteira com a Colômbia) e tive que vender. Os guerrilheiros aparecem, amedrontam e não há governo para reprimir", afirmou.   Em outro centro de votação também no leste de Caracas, o músico Federico Pérez disse que uma vitória da oposição neste domingo "é fundamental para garantir a democracia" no país. "Não estou de acordo com a reeleição, o poder concentrado nas mãos de uma só pessoa corrompe", afirmou.   No oeste da cidade, no bastião chavista do bairro de 23 de Enero, os eleitores se mostravam confiantes na aprovação da emenda. "O que está em jogo hoje é o futuro da revolução e por isso contamos com a reeleição de Chávez, para que nós pobres continuemos sendo tomados em conta neste país", comentou o analista de sistemas Luís Almaro.   Divisão   O líder da oposição e prefeito da cidade de Maracaibo, Manuel Rosales, disse também que, "em termos gerais, a coisa vai muito bem" e que são "encaminhadas para o que Venezuela quer e sonha". "As pessoas estão votando, alegres", disse o ex-candidato presidencial e líder do partido opositor Um Novo Tempo (UNT).   O opositor minimizou a importância dos inconvenientes registrados em alguns centros eleitorais e disse que foram "fatos isolados". "Em termos gerais, a coisa vai muito bem. Acho que o importante é que os que faltam votar saiam de casa e efetivem seu voto", disse. Sobre a situação na segunda-feira na Venezuela, após divulgado o resultado do referendo, Rosales disse que "amanhã haverá muita alegria, paz e esperança."   Ele explicou que isso acontecerá porque acredita que "se abrem os canais dos sonhos, para pensar grande, nas novas gerações. Isso vai pelos melhores caminhos, vamos encaminhados para o que a Venezuela quer e sonha."   Por sua vez, o ministro da Defesa venezuelano, general-em-chefe Gustavo Rangel, expressou sua "satisfação" devido à normalidade com a qual está se desenvolvendo o referendo. "Estou feliz pela forma como vem se desenvolvendo o Plano República e o processo de votação", disse Rangel à imprensa.   O militar convidou os venezuelanos a "participar com alegria e dignidade", e felicitou todas as entidades organizadoras da votação. O Plano República é a operação que garante a segurança e a ordem nos processos de votação. Desta vez, cerca de 140 mil soldados e oficiais, ativos e da reserva, foram mobilizados para zelar pelos 11,297 mil centros de votação do país.   Prisões   As autoridades militares da Venezuela responsáveis por zelar pela ordem durante o referendo disseram que há várias pessoas detidas por crimes eleitorais e por tentar promover desordens. O major-general Jesús González, chefe do Comando Estratégico Operacional, não precisou o número de detidos, mas disse que, no  Estado de Táchira, foram detidas temporariamente 11 pessoas, entre elas dois menores de idade, porque tentaram alterar a ordem perto de um centro de votação.   As outras detenções estão relacionadas, segundo González, com a destruição do comprovante de votação, o dano a máquina eleitoral ou a agressão de algum membro de mesa ou dos que fazem a guarda do centro. González insistiu em que são casos isolados e qualificou o referendo de "processo extraordinariamente bem-sucedido."   Matéria atualizada às 14 horas.   (Com Gabriel Bueno, da Agência Estado, e BBC Brasil)  

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