Apesar de julgamento de Fujimori, valas comuns assombram Peru

Distantes do julgamento por abusos dosdireitos humanos em que é réu o ex-presidente Alberto Fujimori,especialistas realizam exames de DNA para tentar descobrir aidentidade de milhares de vítimas da guerra civil no Peru. Fujimori responde à acusação de ter ordenado a morte de 25pessoas, mas quase 70 mil perderam a vida ou desapareceramdurante a guerra. E o período mais violento deu-se na décadaque antecedeu a posse dele, em 1990. Alguns peruanos afirmam que o julgamento de Fujimori agorachama atenção para o trabalho de identificar as vítimas epermitir às famílias enterrar seus parentes de formaapropriada. "A corrupção e os abusos dos direitos humanos começarammuito antes de Fujimori", afirmou José Pablo Baraybar, umantropólogo que comanda a equipe de peritos responsável porrecolher amostras de DNA de dezenas de familiares dosdesaparecidos. O violento conflito, iniciado em 1980, colocou osmilitares, a policia e milícias camponesas contra dois gruposarmados de esquerda -- o Sendero Luminoso e o MovimentoRevolucionário Tupac Amaru. Os radicais maoístas do primeiro grupo impuseram um reinadode terror em áreas da zona rural. Já as forças de segurançainvestiram contra ativistas estudantis e líderes de sindicatoque suspeitavam terem laços com os guerrilheiros. A maior parte das vítimas morreu na década de 1980.Fujimori governou de 1990 a 2000, e é atribuída a ele aresponsabilidade por ter capturado os principais líderes doSendero Luminoso. Mas a opinião pública virou-se contra o então dirigentedevido aos escândalos de corrupção em seu governo e por causade seu estilo autoritário de administrar o país. O julgamento no qual Fujimori enfrenta acusações de terordenado um esquadrão da morte assassinar supostos esquerdistasiniciou-se três meses atrás. Os familiares das vítimas dizem que o julgamento dele é ummomento importante da história do país, mas se preocupam com apossibilidade de a condenação de Fujimori desviar o Peru datarefa de enfrentar as atrocidades cometidas anteriormente. "Todos os governos cometeram os mesmos crimes e todosdeveriam ser levados à Justiça", afirmou Cirila Pulido, 36, queforneceu seu DNA nesta semana. A mãe e o irmão mais novo delaforam mortos 23 anos atrás e os corpos deles não foramencontrados. Angelica Mendoza, 79, fala frequentemente sobre a noite de1983 na qual soldados arrancaram seu filho adolescente de casa,em Ayacuho, local de nascimento do Sendero Luminoso. Mendoza espera que Fujimori seja condenado à pena máxima de30 anos de prisão. E espera também que os esforços continuem. "Nunca nos esqueceremos dos milhares de pessoas quedesapareceram", disse. "E nunca vamos deixar de procurar porelas." REUTERS FE

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