Apesar de pesquisas, oposição venezuelana vê vitória sobre Chávez

A oposição da Venezuela rejeitou as pesquisas de opinião que mostram o presidente Hugo Chávez na liderança antes da eleição de outubro, e disse nesta quarta-feira que seu candidato, Henrique Capriles, venceria graças a uma campanha incansável "porta a porta".

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

20 de junho de 2012 | 15h53

Capriles, um governador de 39 anos, vem cruzando a Venezuela há meses, parando com frequência várias vezes ao dia para visitar casas de eleitores, andar nas ruas e fazer discursos, em uma estratégia feita para obter uma base de apoio.

Limitado por sua luta contra o câncer que já dura um ano, Chávez, de 57, apenas ocasionalmente aparece em público. Mas nas últimas semanas ele voltou a falar frequentemente com os venezuelanos na televisão, algumas vezes via as chamadas transmissões "de cadeia", que os canais locais são obrigados a exibir.

A maioria das últimas pesquisas dos principais institutos da Venezuela dá a Chávez uma liderança de mais de 15 pontos percentuais antes da eleição presidencial de 7 de outubro, e o partidário socialista prevê uma vitória esmagadora com 60 por cento dos votos.

Mas o gerente da campanha de Capriles, Armando Briquet, disse à Reuters que as evidências nas ruas e nas pesquisas particulares disponíveis para a oposição mostravam um retrato bem diferente.

"Agora as coisas estão niveladas e há sinais ultimamente de que a balança está pesando a nosso favor", disse ele. "Vamos vencer. Não temos dúvida".

A campanha de Capriles ficou animada pelo comparecimento de centenas de milhares de pessoas quando ele registrou oficialmente sua candidatura em Caracas no início deste mês. Mas os partidários de Chávez também apareceram em massa quando o presidente oficializou sua candidatura no dia seguinte. Os eventos impulsionaram as duas campanhas.

Há muito em jogo não apenas para a Venezuela, uma nação de 29 milhões de pessoas com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas para a região como um todo. Aliados de esquerda como Cuba e Nicarágua dependem da benevolência financiada pelo petróleo de Chávez.

Embora permanecendo quietos de forma geral, os Estados Unidos estão acompanhando de perto para ver se seu rival número 1 na região conseguirá a reeleição ou sairá do palco político depois de mais de uma década espezinhando autoridades norte-americanas.

Capriles projeta uma imagem de juventude e energia, e promete seguir o modelo brasileiro de equilibrar a livre iniciativa com programas de bem-estar social.

Chávez, porém, permanece popular devido a seu carisma pessoal e "missões" pelo bem-estar, que fornecem acesso gratuito ao sistema de saúde e à educação, além de subsídios aos alimentos nas favelas urbanas e nas zonas rurais pobres.

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