Apesar do estado de alerta, situação na fronteira é normal

Trânsito entre Colômbia e Venezuela segue inalterado e não há relatos de envio de tropas ou incidentes na região

Reuters e AP

24 de julho de 2010 | 10h42

CARACAS - O comando militar venezuelano prometeu "apoio incondicional" à decisão do presidente Hugo Chávez de romper relações com a Colômbia e garantiu que qualquer invasão estrangeira despertará "uma reação contundente". Mas durante todo dia de ontem a situação na fronteira entre os dois países permaneceu "normal", de acordo com os governos da Venezuela e da Colômbia.

 

Além de revogar todos os laços diplomáticos com Bogotá, Chávez anunciou na quinta-feira "estado de alerta máximo" na região da fronteira. Mas o fluxo de pessoas e veículos nos principais pontos de passagem segue inalterado, segundo autoridades locais.

 

Nenhum incidente violento na região foi noticiado. A única anormalidade relatada foi a suspensão do serviço de aduana em alguns locais do lado venezuelano da fronteira.

 

Apesar da calmaria, o ministro da Defesa da Venezuela, general Carlos Mata Figueroa, anunciou, ao lado do alto-comando militar, que o "estado de alerta" não foi suspenso. Segundo Figueroa, os soldados venezuelanos estão "dispostos a obedecer a qualquer momento" às ordens de Chávez.

 

À TV venezuelana, o vice-presidente Elías Jaua declarou que as patrulhas na região de fronteira "continuam normalmente, mas obviamente em estado de alerta".

 

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, afirmou que a segurança nos "Estados fronteiriços com a Colômbia" já havia sido reforçada para evitar a entrada de "drogas e soldados irregulares". No entanto, segundo o jornal El Universal, de Caracas, a presença militar venezuelana na fronteira não aumentou entre o anúncio de ruptura de relações, na tarde de quinta-feira, e o fim do dia de ontem. Estima-se que 20 mil militares venezuelanos estejam posicionados ao longo dos 2 mil quilômetros de divisa com a Colômbia.

 

Prejuízo. Do lado colombiano, a situação parecia ser semelhante. "Aqui, a fronteira está aberta", disse o governador do Departamento do Norte de Santander, William Villamizar.

 

Em Ureña, cidade por onde passa boa parte do comércio entre os vizinhos, a aduana foi suspensa, informou Isidoro Teres, presidente da Câmara de Comércio da cidade. Ele criticou o "estado de incerteza" sobre o controle fiscal por parte das autoridades venezuelanas. "Mas o trânsito de pessoas e veículos continua normalmente", completou Teres.

 

Companhias aéreas também operavam ontem normalmente seus voos entre Venezuela e Colômbia.

 

O comércio bilateral entre os países já vem sofrendo nos últimos anos. Segundo projeções da revista colombiana La Semana, transações entre Colômbia e Venezuela devem recuar neste ano para os níveis de 2003 - menos de US$ 3 bilhões.

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