Apoio à Argentina reflete tradição da diplomacia brasileira

Em 1982, governo militar deu apoio tácito à ditadura argentina tentando não se indispor com o Reino Unido

estadao.com.br Pesquisa: Rose Saconi/Arquivo,

23 de fevereiro de 2010 | 16h09

Durante a guerra das Malvinas, o Brasil apoiou a reivindicação argentina sobre a soberania das ilhas. O conflito aconteceu em um momento de reaproximação entre Brasília e Buenos Aires, marcado pela assinatura do tratado que resolveu a disputa sobre a construção da hidrelétrica de Itaipu, em 1979. Em 1980, João Baptista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar, visitou o país vizinho.

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O favorecimento brasileiro à Argentina foi discreto porque o País tentou manter uma distância segura do conflito. Em anos de crise, uma ação abertamente contrária aos interesses do Reino Unido poderia atrapalhar as linhas de créditos para o Brasil.

Entretanto, documentos que vieram a tona 24 anos depois do fim da guerra, publicados pelo Estado em 2006, mostraram os bastidores da movimentação do governo brasileiro para tentar ajudar a vizinha Argentina no conflito e driblar a pressão política da Inglaterra.

Documentos inéditos liberados pelo governo e guardados no Arquivo Nacional, em Brasília, aos quais o Estado teve acesso, mostram como chegou longe o mal-estar entre os governos brasileiro e inglês por causa da retenção em solo brasileiro de um bombardeiro Vulcan, da Força Aérea britânica.

Em junho de 1982, o bombardeiro, com problemas técnicos e carregado de armas, foi escoltado por caças brasileiros e aterrissou em solo nacional. A partir daí, começou uma guerra diplomática envolvendo Brasil, Inglaterra e Argentina. Os ingleses reclamavam que, ao mesmo tempo em que retinha o avião, o governo brasileiro fazia vista grossa para a passagem pelo Brasil, em escala técnica, de aviões com armamentos vindos da Líbia rumo à Argentina.

Relatório de número 011650 do Serviço Nacional de Informações (SNI) mostra a correspondência secreta entre o Ministério das Relações Exteriores e o então presidente João Baptista Figueiredo, abordando o andamento da crise e confirmando a preferência pela Argentina no conflito. Reflete, ainda, a ameaça iminente de "deterioração" das relações com a Inglaterra.

 

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