Apoio a Chávez chega a nível mais baixo desde 2003

Em pesquisa, governo recebe apoio de 34% dos consultados, o que mostra queda em relação ao fim de 2007

Frank Jack Daniel, da Reuters,

18 de março de 2008 | 16h24

Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, 18, mostrou que o apoio ao governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, caiu a seu nível mais baixo desde 2003, refletindo os danos de um polêmico referendo no qual Chávez foi derrotado, no fim de 2007. O governo, de tendência esquerdista, recebeu o apoio de 34% dos consultados na pesquisa do respeitado instituto Datos, publicada pelo jornal El Nacional. Isso representa uma queda expressiva em relação aos 43% que Chávez obteve no fim do ano passado, quando a maioria dos eleitores votou contra o aumento de seus poderes. Se as mudanças propostas no referendo fossem aprovadas, Chávez passaria a ter direito a concorrer indefinidamente à reeleição e acelerar reformas socialistas. Depois da derrota, o presidente venezuelano tem prometido combater a elevada criminalidade e a escassez de alimentos básicos. A nova pesquisa, realizada no fim de fevereiro, sugere que Chávez tem de se esforçar para convencer seus partidários tradicionais que seu governo pode resolver os problemas básicos do dia-a-dia, bem como combater a elevada inflação do país. Chávez tem alertado os principais integrantes de sua administração que o governo corre o risco de sofrer perdas importantes nas eleições para governadores dos Estados e para prefeitos, no fim deste ano, se não melhorar seu desempenho. Atualmente, a grande maioria de governadores e prefeitos é formada por aliados de Chávez. No poder desde 1999, Chávez superou em 2002 um golpe de Estado que durou poucos dias e, logo depois, um movimento oposicionista que levou à paralisação da indústria petrolífera. Ele foi reeleito em 2006 com uma maioria folgada. Favorecido pelo apoio da população aos gastos públicos em saúde e educação, e pela confiança no rápido crescimento da economia - baseada no petróleo -, o governo chegou a ter 67% de apoio em 2005 e permaneceu acima dos 50% até meados do ano passado. A nova pesquisa foi realizada antes de Chávez ter ordenado o envio de tanques para a fronteira colombiana, como parte de uma dura disputa diplomática com a Colômbia depois que esse país bombardeou um acampamento da guerrilha Farc no Equador. O conflito despertou temores de uma guerra na região. A fragmentada oposição venezuelana não tem sido bem-sucedida na busca de apoio popular num momento em que o governo perde popularidade, segundo revelou a pesquisa. A sondagem mostrou que apenas 27% dos consultados apóiam partidos de oposição, um pequeno aumento em relação aos 24% no fim do ano passado. A pesquisa ouviu 2.000 pessoas em áreas urbanas, com uma margem de erro de 2,2%.

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