Após 1 mês, golpistas em Honduras tentam ganhar tempo

Governo interino recusa apelos da comunidade internacional para restituir Zelaya, que pressiona por retorno

28 de julho de 2009 | 09h48

Honduras completou nesta terça-feira, 28, um mês da crise política que atingiu o país após o golpe de Estado, enquanto o presidente deposto Manuel Zelaya e a comunidade internacional pressionam para a sua restituição e o governo de facto, liderado por Roberto Micheletti, tenta ganhar tempo para se manter no poder até janeiro de 2010.

 

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Micheletti rejeitou os apelos da comunidade internacional para que devolva o poder para Zelaya, presidente democraticamente eleito por meio do voto popular. Enquanto isso, o líder deposto segue ignorando os pedidos dos Estados Unidos e de outros países da região e se instalou na fronteira da Nicarágua com Honduras, onde pressiona o governo de facto a aceitar o seu retorno. Até agora, os esforços do mediados para a crise, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, não alcançaram progressos.

 

Os governos dos países centro-americanos iniciam nesta terça-feira na Costa Rica encontros preparatórios para a 11ª Cúpula de chefes de Estado e de governo do Mecanismo de Diálogo e Concertação de Tuxtla, que discutirá nesta quarta-feira a crise interna de Honduras. Manuel Zelaya, presidente deposto de Honduras, é esperado para a reunião dos mandatários. Segundo informou a presidência do Panamá, durante a reunião será analisada a "mediação do presidente Arias na crise política hondurenha, em defesa da democracia e do respeito de suas instituições".

 

Micheletti, que convocou para esta terça uma jornada de orações, não cortou o diálogo com a Costa Rica, mas também não está disposto a aceitar a principal proposta de Arias: a restituição de Zelaya. Segundo a agência AFP, um diplomata estrangeiro em Honduras afirmou que a estratégia do governo de facto é "ganhar tempo" para governar até 27 de janeiro de 2010, quando acaba o mandato de Zelaya, e deixar a tarefa de "recompor as relações com a comunidade internacional" para o próximo presidente eleito.

 

O Congresso de Honduras adiou na segunda-feira sua decisão a respeito de uma anistia política para o presidente deposto, uma proposta do mediador Oscar Arias para superar a crise. Os deputados nomearam uma comissão especial que decidirá nesta semana sobre o perdão a Zelaya, acusado de violar a Constituição ao realizar manobras que permitissem sua reeleição. "O Congresso deve remeter essa opinião no prazo que vence na quinta-feira", afirmou o presidente do Congresso, José Saavedra.

 

O plano de Arias contempla a restituição de Zelaya, um governo de unidade nacional, a anistia para os delitos políticos cometidos antes e depois do golpe de 28 de junho e o fim dos planos para modificar a Constituição. Um mês depois do golpe, crescem no Congresso os sinais de que a proposta será rejeitada pelos deputados. Mas a restituição de Zelaya como presidente, item central da proposta de Arias, cabe à Corte Suprema, que ainda não se pronunciou. "Enquanto eles (Congresso) não aceitarem (a proposta de Arias), estão perdendo tempo", disse Zelaya a jornalistas na localidade nicaraguense de Ocotal, perto da fronteira com Honduras.

 

Os EUA insistiram na segunda-feira que Zelaya deve voltar ao poder, mas o desaconselharam a regressar a Honduras antes que seja superada a crise, a pior dos últimos 20 anos na América Central. De um lado, os EUA insistem que o presidente deposto deve retornar. De outro, relutam em impor sanções econômicas que praticamente eliminariam a capacidade de o governo de facto de Roberto Micheletti conseguir se manter no poder.

 

A secretária de Estado, Hillary Clinton, empurrou a crise para o presidente costa-riquenho, Oscar Arias, que tenta negociar, ainda sem sucesso, um acordo. O Departamento de Estado voltou a insistir nesta saída ontem e descartou adotar sanções mais duras por enquanto. Mas, aos poucos, tanto na Casa Branca como no Departamento de Estado, cresce a insatisfação com Zelaya. Suas atitudes como a de tentar retornar de avião e agora por terra incomodaram Washington. Na sexta-feira, Hillary classificou a atitude de Zelaya de cruzar a fronteira entre Nicarágua e Honduras de "imprudente".

 

A secretária de Estado já não nutria simpatias pelo hondurenho desde o início de junho. Na época, durante cúpula da OEA em San Pedro Sula (Honduras), Hillary, segundo relatos, sentiu-se desrespeitada ao ser levada por Zelaya para cumprimentar os parentes dele e tirar fotos com eles.

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