Após 2 meses, pai de refém das Farc chega a pé a Caracas

Colombiano foi recebido pelo presidente Hugo Chávez e criticou o presidente da Colômbia

Efe,

18 de janeiro de 2008 | 01h37

O colombiano Gustavo Moncayo, pai de um soldado há dez anos mantido como refém pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), chegou nesta quinta-feira, 17, a pé a Caracas. Ele iniciou a caminhada em Bogotá em 19 de novembro para pedir uma "troca humanitária" de seqüestrados da guerrilha por rebeldes presos. Após percorrer as ruas da capital, recebendo saudações da população de Caracas, Moncayo foi recebido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Yolanda Pulecio, mãe da ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, também seqüestrada pelas Farc, participou do encontro. O presidente venezuelano não falou aos jornalistas após a reunião. "Esta talvez seja uma das maiores conquistas que obtivemos", declarou Moncayo sobre seu encontro com Chávez. Ele disse que agradeceu pelo "grande trabalho" realizado pela Venezuela em apoio a uma "troca humanitária" na Colômbia. Como vem fazendo desde que entrou em território venezuelano, em 2 de janeiro, Moncayo criticou, diante de jornalistas, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o comissário para a paz da Colômbia, Luis Carlos Restrepo, que chamou de "comissário para a guerra". "Entristece-me a pobreza de espírito e de mentalidade dos dois lados. Não querem que haja paz na Colômbia e que nossos entes queridos voltem à liberdade. São maquiavélicos e estão mais interessados numa guerra" com a Venezuela, disse. O pai do soldado apoiou o pedido de Chávez à comunidade internacional para que os guerrilheiros colombianos sejam reconhecidos como força beligerante. "Dar (à guerrilha) estatuto de beligerância em nível político ajudaria a resolver o problema do seqüestro", mas os funcionários colombianos insistem em classificar o grupo como terrorista. "Mais terrorista acho que é ele", disse, referindo-se ao presidente colombiano, e exigiu colaboração para se chegar ao acordo humanitário. Moncayo disse que o país "está entregue aos imperialistas, está vendido" e acrescentou que ao conflito armado colombiano "é necessário vontade para uma saída política civilizada, que é o que se quer". Segundo o pai do soldado, em sua caminhada foram recolhidas "cerca de duas milhões de assinaturas" em apoio "à troca e ao acordo humanitário". Ao entrar na Venezuela no início do ano, disse: "Nós estamos preparados para os duros golpes que sempre foram aplicados pelo governo" de Uribe, cujos integrantes "sempre buscam colocar obstáculos" às tentativas de libertação dos seqüestrados.

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