Após 6 anos, Ingrid Betancourt se prepara para rever os filhos

Familiares chegam à Colômbia nesta quinta-feira após o resgate da política com outros 14 reféns das Farc

Agências internacionais,

03 de julho de 2008 | 07h56

O avião oficial francês em que viajam os filhos de Ingrid Betancourt e o ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, deve chegar à Colômbia na manhã desta quinta-feira, 3, quando a ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia deve reencontrar Mélanie e Lorenzo, a irmã Astrid Betancourt e seu ex-marido Fabrice Delloye. Além de familiares, a França enviou ainda um grupo de médicos, liderados pelo médico-chefe do Palácio do Eliseu e vários diplomatas.   Veja também: Ingrid Betancourt chega à França nesta sexta-feira Ouça o relato de Ingrid Betancourt (em espanhol) Exército enganou carcereiro das Farc, diz ministro colombiano Libertação foi milagre, precisamos lutar pelos reféns, diz Ingrid Resgate foi absolutamente impecável, diz Ingrid Quem são os ex-reféns libertados pelo Exército colombiano O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt Roberto Godoy comenta a operação de resgate     Depois de mais de seis anos de cativeiro, a política franco-colombiana foi resgatada na quarta-feira, em uma operação do Exército da Colômbia que libertou outros 14 reféns do grupo rebelde. O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, se comprometeu a continuar a busca da liberdade de 25 reféns políticos que seguem seqüestrados pelas Farc, guerrilha a qual pediu para entregar os prisioneiros como uma condição para fazer a paz no país.   Já na base militar de Catan, em Bogotá, Ingrid falou a respeito das privações que teve na selva. "Não havia frutas, não havia verduras. Há muitos anos não vejo luz elétrica. Sabão, pasta de dentes, isso para nós, no cativeiro, era um luxo. Eu me sinto como alguém que voltou de uma viagem à pré-história". Ingrid contou que durante muito tempo se sentiu culpada por ter tomado a decisão de ir a San Vicente del Caguán de carro, apesar dos avisos de perigo feitos pelo governo. Foi durante a viagem que ela foi seqüestrada. "É claro que me senti culpada por ter tomado uma decisão que causou tanto sofrimento a minha família e a morte de meu pai (morto de ataque cardíaco logo depois)", disse. "Depois, compreendi que era meu destino. Vivi o que tinha de viver. Faria tudo de novo."   Na comovente entrevista que concedeu ainda na pista da base militar de Catan, em Bogotá, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt não descartou ser presidente do país. "Se seguirei servindo a Colômbia como presidente, só Deus sabe", afirmou Ingrid. "O que quero é ser um soldado a mais a serviço da pátria", declarou, sem dar mais detalhes a respeito de seu futuro político.Ingrid também elogiou o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que venceu a eleição presidencial de 2002, na qual ela concorria pelo Partido Verde quando foi seqüestrada a caminho da cidade de San Vicente del Caguán. "Se vocês me perguntarem se eu gostaria de ter sido eleita presidente, eu digo que não", afirmou. "Uribe venceu e pôde realizar um grande trabalho".   Segundo Ingrid, a reeleição de Uribe foi um duro golpe para as Farc. "Eles estavam acostumados a ter um governo forte, que era sucedido por um governo fraco. Depois que Uribe foi reeleito, porém, ele não deu descanso para a guerrilha," afirmou. "Isso não quer dizer que comungue com tudo o que ele diz."   Hugo Chávez   Ingrid também destacou o apoio dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, para a obtenção da paz na Colômbia, mas ressaltou que as negociações devem ser feitas com respeito à democracia do país. "Acho que a mediação de Chávez e de Rafael Correa é muito importante. Eles são grandes aliados nesse processo, mas sob uma condição, que tem de ser o respeito à democracia colombiana, representada pelo presidente Álvaro Uribe", declarou. "Os colombianos elegeram Uribe, não elegeram as Farc. Assim como o presidente Chávez e o presidente Correa conseguiram chegar ao comando de seus países pela via democrática, espero e peço a todos os povos irmãos do nosso continente que nos ajudem a fazer com que as transformações na Colômbia também aconteçam pela via democrática."   Por fim, Ingrid fez um apelo para os dirigentes das Farc para que não punam os guerrilheiros que deixaram os 15 reféns escaparem. "As pessoas que ficaram, os guerrilheiros que eram nossos guardas, foram deixados vivos e espero que continuem vivos. Eles não têm culpa de nada", disse. "Deus queira que eles não estejam sujeitos aos métodos de justiça dos guerrilheiros."   Matéria atualizada às 9 horas.

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