Após ameaça britânica, Chile decide reativar base na Antártida

Reino Unido pretende reivindicar mais de 1 milhão de km² em região pertencente a países latino-americanos

Reuters,

24 de outubro de 2007 | 14h05

O Chile reativará a base naval que tem na Antártida e quer redobrar os esforços para se destacar na região. A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 24, por parlamentares de Santiago, após o anúncio dos planos do Reino Unido de expandir a extensão do seu território no continente polar em áreas chilenas e argentinas.   A decisão do Chile de retomar as atividades na base naval Arturo Prat, fechada há cinco anos por falta de verba, surge pouco após um anúncio sobre a intensificação das atividades naquela região por meio de programas de pesquisa científica. O Reino Unido pretende reivindicar a soberania sobre mais de 1 milhão de quilômetros quadrados na Antártida.   A idéia chilena é transferir a base, controlada anteriormente pelo governo da região de Magallanes, de volta para o controle da Marinha, que contará com uma verba extraordinária para esse fim, afirmaram os congressistas.   O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Roberto Munoz, disse na terça-feira que seriam destinados quase USS 3 milhões para a reabertura da base. "Vamos aprovar o Orçamento em novembro", afirmou o senador à Reuters. A reabertura da base Arturo Prat vem junto da promessa de mantê-la em operação pelos próximos 20 anos.   A chancelaria chilena anunciou que apresentará à Comissão de Limites Externos da Plataforma Continental das Nações Unidas um pedido de reconhecimento sobre seu território na Antártida. A medida veio a público depois de o Reino Unido ter feito o pedido semelhante.   Os termos do pedido britânico, no entanto, entram em conflito com o espírito do Tratado da Antártida, de 1959 e que proíbe a exploração de petróleo, gás ou minérios na região. Os dois países assinaram o tratado. No dia 13 de maio de 2009, termina o prazo para que os países façam reivindicações sobre o continente.   Antes do início da 17ª Cúpula Ibero-Americana, que ocorrerá no Chile durante o mês de dezembro, prevê-se que Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), visite a porção chilena da Antártida.   Briga pelos pólos   Os russos estão liderando uma nova "corrida pelo ouro" no norte do planeta, com corajosas tentativas de tomar controle de petróleo, gás, minerais em grandes partes do Oceano Ártico até o Pólo Norte. Segundo a BBC, a Rússia está alegando que uma cadeia de montanhas submarina conhecida como Cordilheira de Lomonosov é uma extensão do território russo.   Ao mesmo tempo, outros Estados estão agindo para proteger os seus interesses no Ártico. O Canadá está planejando construir oito navios de patrulha, e o Congresso americano considera a proposta de construir dois navios polares novos.   A corrida pelo Ártico se acirrou devido ao derretimento de partes da camada polar de gelo, que permitirá explorações mais fáceis.

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