Após 'Banheirogate', Kirchner está menos blindado

Mercados reagiram bem à saída de ministra, mas custo político serão maiores do que no começo do governo

Ariel Palacios, do Estadão,

17 Julho 2007 | 18h32

Os mercados reagiram com calma à renúncia de Felisa Miceli ao posto de Ministra da Economia da Argentina e sua rápida substituição por Miguel Peirano, que até ser nomeado para o novo cargo havia sido secretário de Indústria e Comércio. A Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 0,1%. O dólar manteve-se estável, em 3,09 pesos. No entanto, os analistas indicaram que apesar da calma que predominou, a queda de Miceli mostrou que a "blindagem" política do governo do presidente Néstor Kirchner ficou menos espessa. Veja Também Cronologia da crise 'Banheirogate' derruba ministra da Economia   Um escândalo de similar magnitude, nos primeiros anos de governo, teria causado apenas arranhões à imagem do presidente e seu gabinete.   Mas, neste ano, a crise energética, a escalada da inflação e outros casos de corrupção reduziram a imunidade que Kirchner possuía. A cada novo escândalo, os custos políticos ficaram maiores.     No ano passado, Kirchner, no comando de uma Argentina que crescia 9% em média por ano, ostentava índices de popularidade próximos a 60%.   Mas, as últimas pesquisas indicam que a boa imagem caiu para 52%.   "É uma mudança que nada muda", explicaram ao Estado os analistas financeiros portenhos. A saída da Miceli não foi chorada pelos mercados, e muito menos pela população.   Segundo eles, a política econômica é determinada pelo próprio presidente Kirchner. No entanto, indicaram que o desembarque de Peirano no Ministério implicaria em algumas nuances, entre elas, a de maior atenção às reivindicações industriais, em detrimento da área agropecuária.   A indicação de Peirano agradou o empresariado. O novo ministro trabalhou na principal multinacional argentina - a Techint - foi assessor da União Industrial Argentina (UIA), ocupou a subsecretaria de Pequenas e Médias Empresas e a Secretaria de Indústria e Comércio.   Neste último posto encarregou-se das complexas negociações comerciais com o Brasil.    

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