Após bloqueio de bens, Correa expulsa Odebrecht do Equador

Presidente acusa construtora brasileira de falhas na construção da segunda maior hidrelétrica do país

Agências internacionais,

23 de setembro de 2008 | 20h11

A ordem do governo equatoriano para que o Estado assuma os bens da construtora brasileira Odebrecht no país implica na expulsão da empresa do país, declarou o ministro de Setores Estratégicos, Derlis Palacios. "Sim, é uma expulsão", afirmou ele ao ser perguntado sobre a medida do presidente Rafael Correa. A empresa é acusada pelo governo de ter cometido falhas na construção de uma usina hidrelétrica.   Veja também: Odebrecht propõe perícia independente em usina no Equador Odebrecht confirma vazamento em hidrelétrica equatoriana   Correa ordenou nesta terça-feira, 23, a militarização imediata das obras que estão sob responsabilidade da Odebrecht, entre elas uma outra hidrelétrica, uma rodovia e um aeroporto. Os funcionários da empresa também foram proibidos de sair do país.   O governo exigia que a empresa assumisse o pagamento das indenizações pela paralisação da hidrelétrica de San Francisco, de 230 megawatts de potência, além da devolução de um prêmio dado à empresa pela entrega antecipada do projeto.   Segundo Correa, a Odebrecht, que tem um longo histórico de construções no país, é investigada no Equador por corrupção. Ele declarou que algumas obras eram concluídas com "um terço de capacidade e o triplo de custo."   San Francisco é a primeira usina no mundo totalmente subterrânea, programada para responder por 12% da energia hidrelétrica do país. Está localizada ao lado do vulcão Tungurahua, a 220 km de Quito, e usa águas do Rio Pastaza.   Segunda maior hidrelétrica do país, a usina custou mais de US$ 338 milhões e somente os reparos estão orçados em aproximadamente US$ 12 milhões, segundo o Conselho Nacional de Eletricidade do Equador (Conelec).   Desde 6 de junho a usina vem apresentando falhas técnicas que a obrigaram a interromper a geração, colocando em risco o abastecimento de energia do país andino. A companhia brasileira está no Equador há 20 anos e possuía outras 4 obras em andamento, onde empregava 3 mil trabalhadores.   Em nota divulgada nesta terça, a Odebrecht afirma que o consórcio do qual participa naquele país "continua com seu compromisso" de normalizar a operação da hidrelétrica San Francisco "o mais breve possível". Segundo a empresa, a proposta feita pelo consórcio Odebrecht-Alstom-Va Tech foi "altamente positiva" para o governo equatoriano e "resguarda possíveis perdas da Hidropastaza", proprietária da hidrelétrica.Entre outros pontos, a Odebrecht afirma que uma proposta de acordo feita pelo consórcio envolve "depósito em conta de uma garantia de US$ 43 milhões e contratação de auditoria internacional independente" para determinar as responsabilidades das partes envolvidas.  

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