Após briga com rei, empresários espanhóis reclamam de Chávez

Multinacionais afirmam que situação no país é insustentável e já pensam em abandonar investimentos

Agências internacionais,

13 de novembro de 2007 | 12h12

A discussão entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o rei Juan Carlos da Espanha ao término da cúpula ibero-americana, no domingo, colocou as relações entre Madri e Caracas no centro do debate político na Espanha. Após as trocas de farpas na segunda-feira, 12, entre governo e oposicionistas, nesta terça-feira, 13, foi a vez de empresários espanhóis reclamarem da intervenção de Chávez na economia venezuelana.   Veja também:Espanha não romperá com Chávez Chávez diz que rei não pode mandá-lo se calar Chávez chama o rei da Espanha de golpista Briga entre Chávez e rei vira disputa política 'Por que não se cala?' é usado como ringtone   Embora as companhias se recusem em comentar individualmente as acusações de Chávez de que Madri e empresários espanhóis tiveram ligação com a tentativa de golpe na Venezuela em 2002, o presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), Gerardo Díez, diz que as palavras do líder bolivariano são um "disparate".   O choque do rei espanhol com Chávez trouxe à tona a lembrança do fracassado golpe. Segundo versões que circularam na época, o então premiê José María Aznar teria mandado o embaixador espanhol no país dialogar com o golpista Pedro Carmona. Desde então, Chávez tem criticado as empresas espanholas no país, acusando-as de colaborar com a suposta ação do governo espanhol.   Em sua edição digital desta terça-feira, o jornal El País lembra que as multinacionais espanholas estão entre os principais grupos investidores na América Latina. Só na Venezuela, mais de 1,7 bilhões de euros foram investidos desde que Chávez chegou ao poder, em 1999.   Ainda assim, os empresários tem enfrentado impasses crescentes em suas relações com governos esquerdistas de Venezuela, Nicarágua, Argentina, Bolívia e Equador. Entre os problemas citados pelos investidores, o texto destaca a alta taxa de impostos e a falta de benefícios concedidos por países.   De acordo com o El País, alguns investidores afirmam que estão cansados da situação na Venezuela e ameaçam abandonar o país, reconhecendo que "não se pode seguir adiante". Algumas empresas já tentaram sair, mas não conseguiram compradores para as suas instalações. O único consolo para elas é que a Venezuela não "é um dos únicos grandes países da América Latina. Contamos também com México, Brasil, Chile e Argentina", argumentam.   Outro problema citado pelos empresários ouvidos pelo joranl são as constantes ameaças de nacionalização enfrentadas pelos bancos espanhóis (que controlam 25% do mercado) e acusações feitas contra seus presidentes.   Corrida presidencial   A pouco mais de três meses das eleições gerais, marcadas para março, a discussão entre Juan Carlos e Chávez parece ter aberto a campanha eleitoral espanhola. Praticamente empatados em pesquisas de opinião divulgadas na segunda, o PP aproveitou o caso para criticar a política externa do premiês socialista, considerada "negligente" e "muito tolerante" com Chávez. O PP é o partido do ex-premiê José Maria Aznar - que foi chamado de "fascista" por Chávez e acabou sendo o pivô do bate-boca com o rei.   A polêmica envolvendo o ex-premiê começou quando Chávez, em seu discurso na Cúpula Ibero-americana, acusou Aznar de participação no fracassado golpe de estado contra ele, em abril de 2002. "É um fascista", disse Chávez. Zapatero defendeu o ex-premiê, exigiu "respeito", já que Aznar havia sido eleito pelos espanhóis.   Zapatero e Chávez começaram então uma dura discussão - que mais parecia um monólogo de Chávez. Irritado, o rei (que estava sentado ao lado de Zapatero) apontou para Chávez e gritou: "Por que você não se cala?"   Posteriormente, Chávez disse ainda que Juan Carlos sabia do golpe de Estado que tentou derrubá-lo em 2002. "Eu me pergunto: será que o rei sabia do golpe contra mim em 2002?", disse o venezuelano. "Senhor rei, lhe digo o seguinte: estamos a 500 anos aqui e nunca nos calaremos. Muito menos diante de um monarca."

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