Após críticas, governo acelera ajuda humanitária no Peru

Reparos na principal rodovia do país amplia fluxo de caminhões com suprimentos para vítimas de desastre

Roberto Lameirinhas, enviado especial do Estado,

18 de agosto de 2007 | 12h56

Duramente criticado pela demora na chegada da ajuda humanitária às vítimas do terremoto de quarta-feira, o governo do presidente Alan García decidiu acelerar os programas de emergência e reforçar a segurança nas áreas de Pisco, Chincha, Cañete e Ica, cidades da costa centro-sul do país mais afetadas pelo abalo.   Veja também:  Câmeras flagram momento do abalo  Vítimas do terremoto são veladas nas ruas Ajuda internacional começa a chegar à costa peruana Situação é crítica em povoados peruanos sem ajuda Helicóptero com ajuda humanitária cai e fere 7 Tremor de 5,5 graus gera alarme entre vítimas Os piores terremotos na América Latina  Galeria de fotos do desastre  Pelos menos 600 soldados do Exército e da Policia Nacional foram deslocados para a região do desastre, enquanto os reparos de urgência da Rodovia Panamericana ampliavam o fluxo dos caminhões que levam água potável, alimentos, barracas de campanha e cobertores com destino à área de desastre. Entidades de ajuda humanitária, como a Cruz Vermelha Internacional, qualificavam de essencial a rapidez da chegada da ajuda em áreas como Pisco, cidade de 130 mil habitantes destruída quase completamente pelo terremoto. O principal temor era o de que a falta de água e centenas de cadáveres ainda insepultos - e a conseqüente deterioração das condições sanitárias - causasse epidemias. Já no fim da tarde de sexta-feira, a Defesa Civil começava a montar as barracas para a instalação de acampamentos provisórios para mais de 20 mil desabrigados de Pisco. De acordo com o ministro da Defesa Allan Wagner, nove acampamentos tinham sido instalados na cidade. Com a chegada de centenas de caixões, o sepultamento das vítimas do terremoto no pequeno - e também semidestruído - cemitério de Pisco começou na sexta. Ainda assim, alguns cadáveres retirados dos escombros permaneciam a céu aberto, no chão da Praça de Armas, à espera de identificação. Segundo explicou ao Estado um médico legista, alguns corpos seriam sepultados sem identificação por uma simples razão: nenhum parente que poderia reconhecê-los sobreviveu à tragédia. O governo também intensificou a ponte aérea de emergência entre a base aérea de Pisco e a de Lima-Callao para trasladar os feridos a hospitais da capital. O líder nacionalista Ollanta Humala, vencido por García no segundo turno da eleição presidencial de junho do ano passado, visitou comunidades pobres de Pisco na sexta-feira à noite e não poupou críticas à lentidão do governo na distribuição da ajuda. Na comunidade de Manu Patinga, onde alguns corpos ainda eram velados ao ar livre, Humala afirmou que sua presença representava a solidariedade de seu Partido Nacionalista Peruano ao povo de Pisco. A assessora de Humala, Cynthia Montes, negou ao Estado que a viagem de ex-candidato presidencial a Pisco se tratasse de um ato de oportunismo político, como denunciaram políticos ligados ao governo. "É apenas uma visita para levar conforto às vítimas", resumiu. García também chegou ao centro de Pisco quase ao mesmo tempo que Humala. Despachando desde um gabinete de emergência instalado na base aérea dos arredores da cidade, ele visitou um bebê, o primeiro nascido após o terremoto em Pisco. O parto do pequeno Jesús, filho de uma moradora da cidade de 17 anos que teve a casa destruída pelo tremor, foi feito no hospital de campanha instalado pela Essalud - o equivalente peruano do Sistema Único de Saúde brasileiro - na Praça de Armas.

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