Após decisão do Chile, Fujimori passará por novo julgamento no Peru

O ex-presidente Alberto Fujimori voltará a ser julgado no ano que vem no Peru, graças a uma decisão da Justiça chilena que ampliou os termos da sua extradição para que ele seja processado por peculato, disse a procuradoria peruana na terça-feira, enquanto o governo local cogita lhe conceder um indulto humanitário.

Reuters

13 de novembro de 2012 | 20h38

Fujimori foi extraditado do Chile para o Peru em 2007, e atualmente cumpre pena de 25 anos de prisão por seu envolvimento em chacinas ocorridas durante seu governo (1990-2000). Por causa do seu delicado estado de saúde, seus filhos solicitaram um indulto ao presidente Ollanta Humala.

O procurador peruano para casos de corrupção, Julio Arbizu, disse a jornalistas que a Corte Suprema do Chile autorizou acrescentar ao prontuário de Fujimori a acusação de ter desviado recursos públicos para comprar as linhas editoriais de jornais populares entre 1998 e 2000.

"Esse é um caso de peculato, de graves delitos contra a administração pública, um caso além do mais que supõe o desvio de mais de 120 milhões de sóis (46 milhões de dólares)", disse Arbizu em entrevista coletiva.

"Falta que se pronuncie a procuradoria geral com uma acusação, seguramente o fará nas próximas semanas, e uma vez que isso ocorra se fixará uma data para o início do julgamento oral, que seguramente começará no próximo ano", acrescentou.

Arbizu negou que essa nova acusação seja uma tentativa de impedir o indulto a Fujimori, de 74 anos. "Isso se tramitou antes de qualquer anúncio de solicitação de indulto. Descarta-se que isso tenha alguma vinculação por parte do Estado, tampouco tem qualquer incidência sobre os resultados eventuais do indulto", afirmou.

A possibilidade do indulto a Fujimori divide o Peru. Para alguns, seria um sinal de impunidade, enquanto outros veem uma questão de compaixão com um idoso doente.

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente e rival de Humala na última eleição presidencial, criticou a suposta parcialidade do governo diante da solicitação.

"Primeiro, se disse que está na fila. Depois, lhe exigiram uma ilegalidade, que assine o documento. Assim ele fez. Em terceiro lugar, quando meu pai estava na clínica, entra a ministra com uma equipe de televisão para tirar fotos do seu quarto e, depois, as divulga para a imprensa", disse Keiko.

"Agora estão violando o seu direito constitucional de se expressar", acrescentou ela, referindo-se à recusa das autoridades carcerárias em permitir que o ex-presidente conceda entrevista a um meio de comunicação local.

Os médicos de Fujimori, que já passou por cinco cirurgias devido a lesões cancerosas na boca, advertiram para uma eventual reincidência da doença caso ele continue na cadeia.

(Reportagem de Teresa Céspedes)

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