Após derrota eleitoral, Kirchner deixa presidência do partido

Cristina anuncia entrevista coletiva para esta segunda-feira após perder maioria governista no Congresso

29 de junho de 2009 | 13h45

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner renunciou nesta segunda-feira, 29, como líder do governante Partido Justicialista (PJ, peronista) após a derrota eleitoral nas eleições legislativas de domingo. Kirchner (2003-2007), marido e antecessor da atual presidente do país, Cristina Kirchner, exercia a presidência da legenda peronista desde maio de 2008 e anunciou sua decisão de forma "indeclinável" durante uma reunião com dirigentes do partido.

 

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O casal Kirchner sofreu uma dura derrota nas eleições que puseram fim ao controle governista sobre o Congresso e posicionaram opositores como favoritos para ganhar a presidência do país em 2011. O tropeço pode deixar Kirchner, um político que governou a Argentina com um estilo áspero e confrontador entre 2003 e 2007, fora da corrida para as eleições presidenciais de 2011.

 

Cristina programou ainda para esta segunda uma entrevista coletiva, a segunda desde o início do seu governo em 2007. A presidente comparecerá diante dos jornalistas em meio aos rumores de mudanças de vários de seus ministros após os resultados das eleições de domingo. A derrota mais contundente foi no principal distrito eleitoral do país, a Província de Buenos Aires, onde Néstor Kirchner (Frente para a Vitória, do Partido Justicialista) perdeu para o empresário milionário e peronista dissidente Francisco De Narváez (Unión-Pro). Kirchner obteve 32,1% dos votos contra 34,58% de Narváez.

A presidente manteve silêncio desde a divulgação dos resultados das eleições. Analistas apontam que sete em cada dez argentinos votaram contra o governo nas eleições para renovar a metade das 257 vagas de deputados e um terço dos 72 postos do Senado.

 

Segundo informou a agência de notícias estatal Télam, Kirchner pediu ao governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, que "assuma o desafio de levar adiante condução partidária". Ele afirmou que sua renúncia é "indeclinável" e pediu que Scioli e o vice-governador Alberto Balestrini continuem em seus cargos na província, de maior peso político do país. Neste sentido, pediu aos dois que não assumam suas cadeiras na Câmara dos Deputados, às quais foram eleitos como segunda força mais votada.

 

Em tom eufórico, De Narváez também enviou sua mensagem aos Kirchner. "Queremos sentar em uma mesa com a presidente e com seu gabinete para colaborar", disse nesta madrugada. Ele pediu mudanças na forma do governo Kirchner, marcada pelo confronto com os opositores e pela falta de diálogo com os diversos setores econômicos e sociais do país.

 

Néstor Kirchner se dispôs a apoiar o governo de sua mulher desde o Congresso, mas sua derrota e a perda de terreno no âmbito legislativo criaram dificuldades para que Cristina avance com sua agenda no momento em que a economia argentina se deteriora e diminui o saldo fiscal.

 

Ministra da Saúde

O chefe de Gabinete da Presidência, Sergio Massa, confirmou a renúncia da Ministra de Saúde, Graciela Ocaña, que vai ser substituída pelo atual vice-governador da província de Tucumán, Juan Luis Manzur. O novo ministro assume o cargo na quarta-feira próxima. "Manzur é médico especialista em medicina trabalhista, é medico legista, foi secretário de Saúde do município de La Matanza, e da província de Tucumán", disse Massa. A saída de Ocaña já era esperada para esta segunda, um dia depois das eleições, devido ao seu desgaste dentro do governo. Ocaña já havia pedido sua demissão há meses, mas a presidente pediu que ela ficasse até passar as eleições para não provocar ruídos na campanha eleitoral governista.

 

Ocaña vinha trabalhando sem apoio da presidente e dos demais ministros nas duras tarefas de administrar as epidemias de dengue, durante o verão, e de gripe Influenza A (H1N1) - mais conhecida como gripe suína -, surgida há cerca de dois meses. Mas a medida foi vetada pela presidente para não prejudicar as eleições parlamentares de domingo. Segundo informações de bastidores, Ocaña também teria sido proibida de revelar os números reais de mortes e de contágios da gripe. As estimativas de especialistas são de que os casos reais são o dobro das cifras oficiais. O mesmo ocorreu quando a epidemia da dengue afetou o país nos meses de janeiros, fevereiro e março. O governo só reconheceu a existência da doença depois que a doença já havia se alastrado pelo país.

 

 

(Com Marina Guimarães, da Agência Estado)

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