Após derrota no Senado, Cristina Kirchner fala em traição

Em seu primeiro discurso após o veto, presidente afirma que proposta do governo não foi entendida por todos

Agências Internacionais,

18 de julho de 2008 | 01h44

A presidente Cristina Fernández Kirchner se referiu indiretamente ao vice-presidente Julio Cobos e aos senadores que vetaram o projeto de reforma tributária sobre a exportação de grãos proposto pelo governo. Cristina afirmou que "alguns não entenderam" a intenção do governo.   Veja também: Senado da Argentina veta projeto de impostos sobre grãos Vice vota contra Cristina Kirchner, mas pretende ficar no cargo Para base governista, veto de vice é incompreensível   Em seu esperado primeiro discurso após o veto do Senado argentino na madrugada desta quinta-feira, Cristina evitou mencionar nomes, mas não ocultou seu mal-estar. "Quero agradecer a presença de todos aqui esta noite para nos reencontrarmos, como sempre temos feito, olharmos nos olhos um dos outros e saber que nunca nos traímos", disse a presidente argentina para seus partidários na inauguração de um terminal aéreo na província de Chaco, 1.000 quilômetros ao norte de Buenos Aires.   Cristina ainda afirmou em seu discurso que o projeto não foi bem entendido por todos. "Para aqueles que talvez não tenham entendido o que prometemos em outubro, uma hora entenderão. Alguns demoram mais para entender, vamos esperar que uma hora eles se dêem conta".   A presidente também destacou que alguns senadores de seu Partido Justicialista (PJ) se opuseram a iniciativa que detonou um conflito com o campo há quatro meses. "Quero destacar que dirigentes de outros partidos políticos me acompanharam e outros de nosso partido votaram contra. O importante é comprovar que distintos argentinos, com histórias e identidades diferentes, são capazes de se unir em um projeto comum", apontou.   Ao mencionar o conflito, Cristina disse que "nunca" se traiu e que escolheu um "caminho irrenunciável: representar os interesses dos menos favorecidos para construir uma Argentina com mais inclusão social e menos pobreza".   "Para fazer isto, muitas vezes, temos que mexer em interesses, porque a distribuição social e os pobres não podem ser um discurso eleitoral. Devem ser um compromisso do governo", afirmou Cristina.   A votação do projeto ficou empatada em 36 votos, e Cobos - que em sua condição de vice-presidente do país preside o Senado - votou contra, após mais de 17 horas de debates.   "Não me passa pela cabeça renunciar. Isto seria trair a vontade popular", disse Cobos. "Estou tranqüilo com minha consciência e minha responsabilidade. Creio que o país vai se pacificar".   O projeto governamental chegou ao Senado após ser aprovado pela Câmara dos Deputados por 129 votos a favor e 122 contra, em uma sessão que foi encerrada no dia 5 de julho e que durou mais de 16 horas. O conflito entre o campo e o governo começou no dia 11 de março, quando o Ministério da Economia ditou uma resolução na qual impôs impostos móveis às exportações de grãos.   A rejeição ao novo esquema tributário gerou quatro greves que impediram a comercialização de grãos, além de bloqueios de estradas e desabastecimento de alimentos para a indústria, que causaram milionárias perdas ao país.

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