Após derrotas, Hugo Chávez ameniza o tom para 2008

Presidente venezuelano abandona retórica agressiva e promete solução para problemas internos do país

Brian Ellsworth, da Reuters,

03 de janeiro de 2008 | 15h28

Se 2007 foi o ano em que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, semeou sua visão revolucionária do socialismo, 2008 pode ser a oportunidade do líder colocar a casa em ordem e mudar a sua retórica combativa. Derrotado no referendo para a sua proposta constitucional, desafiando a sua intenção de implantar um Estado socialista e garantir a sua eleição indefinida, Chávez parece mudar o seu discurso e concentrar-se nos problemas de seus simpatizantes e aliados.   O ex-militar agora se comprometeu a enfrentar problemas como o crime, a corrupção e a escassez de alimentos na véspera de anunciar a anistia aos seus adversários políticos vinculados ao falido golpe de Estado de 2002 contra o seu governo.   Ainda que o mandatário de 53 anos possa mudar a sua estratégia e adotar uma nova postura ofensiva, Chávez começou 2008 com um tom mais humilde, contrastando com o contundente discurso das nacionalizações e das reformas anunciadas há um ano e que foram trabalhadas durante 2007.   "Existem problemas práticos que não obedecem nenhuma ideologia e que devemos solucionar", afirmou Chávez em rede nacional durante o final de semana. Ele ainda prometeu combater a corrupção e "buscar formas de retificação e impulso econômico".   Seus comentários foram feitos após a derrota no referendo de dezembro e das crescentes reclamações de que o governo não fez o suficiente para lidar com o problema das ruas imundas de Caracas e em combater a maior taxa de inflação do Hemisfério Ocidental. A anistia para os participantes do golpe e aos dissidentes que perseguiu nos últimos cinco anos indicam que o presidente busca uma ponte com a oposição, que venceu Chávez pela primeira vez desde 1988.   Chávez, aliado do líder cubano Fidel Castro, obteve o seu suporte político por meio de confrontos abertos contra Washington e programas sociais que beneficiam os mais carentes, financiados com a receita do petróleo. O governo venezuelano começou no ano passado com as nacionalizações das maiores companhias privadas de telecomunicações e eletricidade, além de expulsar gigantes corporações com projetos petroleiros.   Porém, segundo analistas, Chávez começou a perder o apoio de suas bases em maio de 2007, ao tirar do ar o canal de televisão privado mais popular do país por um suposto apoio ao golpe de 2002, tirando do ar telenovelas e programas de concursos que satisfaziam grande parte da classe trabalhadora venezuelana. O fim da RCTV e as longas e demoradas filas de espera nos supermercados por conta da escassez de produtos como leite, ovos e carne, gerada pelo controle estatal dos preços, frustraram ainda mais a população.

Tudo o que sabemos sobre:
Hugo ChávezVenezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.