Após eleições em Cuba, futuro de Fidel começa a se definir

Os cubanos foram às urnas no domingopara eleger um novo Parlamento, que definirá no dia 24 defevereiro se Fidel Castro continuará no poder, do qual estáprovisoriamente afastado há 18 meses. Fidel não aparece em público desde julho de 2006, quandosofreu uma cirurgia intestinal e transferiu suas funções aoirmão Raúl. No domingo, o veterano revolucionário foi um dos614 candidatos a igual número de vagas na Assembléia Nacional(Parlamento). Três horas e meia depois do fechamento das urnas, aComissão Eleitoral Nacional anunciou que 89,1 por cento dos 8,4milhões de eleitores habilitados haviam votado. Raúl Castro, um dos primeiros a votar, disse que a novalegislatura será instalada em 24 de fevereiro, quando deveocorrer a eleição parlamentar para o Conselho de Estado -- oque definirá se Fidel continua como chefe de Estado ou seaposenta, depois de ocupar o poder desde 1959. "A eleição do novo Parlamento é uma etapa complexa, umaetapa em que temos que enfrentar diferentes situações e grandesdecisões, pouco a pouco", disse Raúl, de 76 anos, depois devotar em uma escola de Havana. Fidel foi eleito deputado pela cidade de Santiago de Cuba,considerada o berço da revolução cubana. Em dezembro, porém,ele disse que não pretendia se aferrar ao poder nem impedir aascensão de uma nova geração. Na semana passada, Fidel divulgou nota afirmando que seuestado de saúde lhe impede de falar em público. De acordo com Raúl, seu irmão "está bem de saúde, dentro dasituação que tem, aos 81 anos, (está) forte, saudável." O vice-presidente Carlos Lage, de 56 anos, apontado poralguns como possível sucessor de Fidel como chefe de Estado,disse no domingo a jornalistas que pretende votar no líder. "Opróximo presidente seremos os 11 milhões de cubanos", afirmou,quando questionado sobre a chance de ser o sucessor de Fidel. Alguns cubanos votaram com esperança de reformas sob ocomando de Raúl. "É necessária uma mudança brusca na sociedade,sem demagogia, sem hipocrisia. Acho que os problemas têm de serresolvidos a médio prazo, como alimentação, os altos preços, eacabar com o roubo e a corrupção", disse em Havana o aposentadoRamón Falcón, 74 anos. Outros manifestaram ceticismo. "Estas eleições nãodeterminam muito. Acho que vão mesmo reeleger Fidel, apesar deque está doente e ele mesmo reconhece isso. Não há nada queindique o contrário", observou a eleitora Felicia, de 53 anos. Os deputados regionais das 14 províncias também forameleitos no domingo. (Reportagem de Milexsy Durán, Rosa Tania Valdés e NelsonAcosta em Havana)

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