Após fracasso no diálogo, oposição diz não querer escutar Evo

Opositores afirmam que postura do presidente boliviano continua fechada e não atenderão reinvindicações

Efe,

15 de agosto de 2008 | 17h42

A primeira tentativa de diálogo na Bolívia após o referendo de 10 de agosto fracassou, apesar da oferta de pacto do presidente Evo Morales aos seus opositores, que optaram por radicalizar suas ações contra o governo. Evo insistiu nesta sexta-feira, 15, em clamar pela tolerância e pela continuidade do diálogo, segundo o ministro da Presidência Juan Ramón Quintana, depois que os governadores opositores dos departamentos (estados) de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca convocaram uma greve geral para o dia 19. Os dirigentes dessas regiões disseram que a posição de Evo continua sendo fechada e que "não quer escutar" suas reivindicações. Por isso, decidiram avançar em seus planos autonomistas e não retroceder em sua reivindicação para que o governo lhes devolva sua receita petroleira, ou seja, 30% do Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH), que La Paz destina, desde janeiro, à ajuda aos idosos do país. Na mesa de diálogo, aberta na última quarta-feira na capital boliviana, Evo propôs aos governadores vários pactos, o mais importante deles a constitucionalização dos estatutos autônomos aprovados na chamada região da "meia lua", formada por Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. Também foi proposto revisar a devolução do IDH, porém, durante um pacto fiscal, que inclua os prefeitos do país. "Não nos recusamos a devolver o IDH, propusemos discutir até onde podemos, mas também com outros atores para chegar a uma fórmula equânime e justa", disse o ministro Quintana em declarações à rede de televisão "PAT." Sobre isso, criticou os governadores opositores que utilizaram estes recursos econômicos com fins políticos e, em muitos casos, para financiar medidas de protesto contra o governo e gerar um clima de violência.  Resolução de Santa Cruz Os governadores regionais da meia lua e a de Chuquisaca, durante o Conselho Nacional Democrático (Conalde), revelaram, após a reunião com Evo, a chamada Resolução de Santa Cruz. Nessa resolução, foi assegurado que a crise nacional deve ser resolvida pelo governo e se responsabiliza o Executivo pelo "que possa ocorrer daqui em diante." Além de convocar uma greve civil - que na prática é uma greve geral - em seus departamentos para a próxima terça-feira, advertiram às autoridades nacionais que "sua presença" nesses "departamentos não é considerada grata nem bem-vinda." "A luta acaba de começar, tenham como certo que vamos ganhar", assegurou ontem Branko Marinkovic, principal líder civil de Santa Cruz, após ler a resolução do Conalde. Antes da Resolução de Santa Cruz, foi anunciado pelo governador deste departamento, Rubén Costas, que o estatuto de autonomia de sua região seria aplicado, o que o governo considera "inconstitucional e separatista." Ao fim do referendo revogatório de domingo, Costas anunciou a criação de um sistema fiscal próprio para Santa Cruz e um corpo de segurança neste departamento. Também tornou pública a aprovação de um decreto para formar um órgão eleitoral em Santa Cruz relacionado à designação de uma assembléia departamental. Já o governo, assegura que o processo de transformações empreendido na Bolívia continuará "apesar dos pesares", segundo declarações do vice-presidente Álvaro García Linera.  Referendo O conflito político na Bolívia continua após o referendo sobre mandatos de 10 de agosto, quando Morales e seu vice-presidente foram ratificados em seus cargos com apoio de 67,4% da população. Também foram ratificados os governadores departamentais opositores de Santa Cruz, Rubén Costas; Beni, Ernesto Suárez; Pando, Leopoldo Fernández; e Tarija, Mario Cossío, além do governista de Potosí. O referendo revogatório foi proposto como uma possível saída para a crise boliviana, onde o projeto constitucional impulsionado por Evo enfrenta o processo autonomista empreendido pelos quatro departamentos controlados pela oposição.

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