Efe
Efe

Após fracasso no diálogo, Zelaya inicia novo retorno a Honduras

Ignorando ameaças de prisão, líder deposto deixa Nicarágua em caravana; ele deve chegar no fim de semana

Agência Estado e Associated Press,

23 de julho de 2009 | 19h41

Uma caravana partiu nesta quinta-feira, 23, da capital da Nicarágua, com o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que fará uma nova tentativa de regressar ao país. O líder interino de Honduras, Roberto Micheletti, disse que prenderá Zelaya se ele voltar ao país. A polícia hondurenha reiterou nesta quinta que chefe de Estado deposto será detido se atravessar a fronteira.

 

Em Manágua, Zelaya disse à emissora argentina Todo Noticias: "medo eu não tenho, mas sei que existem riscos e fui ameaçado pelo golpista Romeo Vásquez Velásquez". O general Velásquez comanda o Estado-Maior Conjunto do Exército de Honduras. Zelaya esclareceu que não planeja voltar imediatamente. "Acredito que estaremos na fronteira no sábado ou no domingo, porque iremos devagar, para chegar com um forte contingente de hondurenhos ao nosso lado", completou.

 

Veja também:

linkMissão denuncia violações de direitos humanos em Honduras

linkEUA e OEA fazem apelo a Zelaya e Micheletti para acordo

especialPara analistas, pressão econômica seria a saída

especialEntenda a origem da crise política em Honduras 

lista Perfil: Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda

lista Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA 

 

"Quando ele voltar a Honduras, teremos que executar a ordem de prisão", disse Lorena Calix, a porta-voz da polícia nacional. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse que a decisão de Zelaya de regressar é "apressada" e lembrou que a entidade ainda aguarda uma resposta oficial tanto do governo interino de Honduras quando do próprio mandatário deposto sobre a segunda rodada de negociações, que acabou na quarta-feira à noite na Costa Rica sem resultados aparentes.

 

Enquanto prepara a volta, Zelaya instalará um "posto de comando" na cidade nicaraguense de Estelí, 100 quilômetros ao norte de Manágua, onde será avaliada a maneira mais conveniente de entrar em Honduras, disse Allan Fajardo, um dos funcionários do governo hondurenho defenestrado.

 

Após tomar conhecimento na noite de quarta-feira sobre o fracasso da mediação do presidente de Costa Rica, Oscar Arias, que tentava restituí-lo ao cargo, Zelaya anunciou sua volta a Honduras acompanhado por sua esposa, filhos, um grupo de aliados políticos e jornalistas.

 

Esta é a segunda tentativa do presidente deposto voltar a Honduras. Afastado da presidência por um golpe de Estado em 28 de junho, ele tentou voltar em 5 de julho a Tegucigalpa, vindo de Washington em um avião de matrícula venezuelana. O avião não obteve permissão para pousar no aeroporto da capital hondurenha.

 

A Suprema Corte de Honduras ordenou a prisão de Zelaya antes do golpe do dia 28, acusando o então mandatário no cargo de querer aprovar um referendo que se vitorioso permitiria a reeleição de políticos aos cargos públicos, o que segundo os magistrados violaria a Constituição do país. Se detido, Zelaya enfrentará quatro acusações, de violar ordens do governo, traição, abuso e usurpação do poder. As acusações podem render 43 anos de cadeia.

  

PROTESTOS

 

Enquanto isso continuam as manifestações populares em Honduras. Simpatizantes de Zelaya organizaram uma greve no serviço público e bloquearam rodovias no país, disse Juan Barahona, um dos organizadores. Zelaya e Fajardo não informaram o ponto exato onde pretendem cruzar a fronteira.

 

Os possíveis passos terrestres da Nicarágua para Honduras são Guasaule, na província de Chinandega, 126 quilômetros ao oeste de Manágua; ou então El Espino e Las Manos, ambos em Madriz, a 150 e 185 quilômetros ao norte da capital da Nicarágua, respectivamente.

 

Mas Fajardo não descartou que Zelaya use um avião para viajar a El Salvador ou à Guatemala, ou navegar na costa caribenha para alcançar Honduras. O chefe de Estado deposto disse que regressará sem armas.

 

Na falta de um acordo que resolva o impasse político, o presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quinta-feira que só a renúncia do governo interino evitará que Honduras mergulhe numa guerra civil. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse que é preciso "evitar um derramamento de sangue em Honduras" e pediu à OEA que cumpra com as diretrizes aprovadas na assembleia geral da entidade, para que a nação centro-americana "recupere a democracia."

 

Zelaya disse que pediu ao general Velásquez que ordene aos soldados que "baixem os fuzis" quando ele chegar à fronteira. O presidente destituído responsabilizou Velásquez por qualquer violência que ele possa sofrer.

Tudo o que sabemos sobre:
Hondurasgolpe de Estado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.