Após golpe, Honduras terá toque de recolher por 48 horas

Novo presidente diz que anuncia medida para que país recupere tranquilidade após prisão e exílio de Zelaya

Efe,

28 de junho de 2009 | 22h32

O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, anunciou neste domingo, 28, um toque de recolher de pelo menos 48 horas. Ele justificou a medida sob o argumento de que o país precisa recuperar a tranquilidade no meio da crise causada após o presidente Manuel Zelaya ter sido preso e expulso para a Costa Rica por soldados do exército na manhã deste domingo. Micheletti disse ainda que está disposto a receber Zelaya se ele quiser retornar.

 

O toque de recolher será vigente domingo e segunda de 21h às 6h (de 0h a 9h de Brasília), disse Micheletti, antes chefe do Legislativo, em entrevista coletiva após ser investido como presidente. Ele afirmou que analisará se a medida, que deve ser ratificada pelo Parlamento, vai se estender por mais tempo.

 

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A OEA repudiou o golpe militar que destituiu, neste domingo, 28, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya. O organismo internacional convocou uma sessão de emergência dos chanceleres americanos para determinar as ações que a instituição adotará contra os golpistas e o governo instalado em Tegucigalpa.

 

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) expressou seu "firme apoio às instituições democráticas de Honduras e pediu a restituição a seus cargos, dos representantes democraticamente eleitos, dentre eles o presidente. Ban Ki-Moon disse que está "profundamente preocupado" com os acontecimentos recentes no país centro-americano e condena a prisão de Zelaya e seus colaboradores.

 

Micheletti assegurou que receberia "com muito gosto" o deposto Manuel Zelaya se ele então desejar retornar, mas sem o apoio do governante da Venezuela, Hugo Chávez. "Acho que se ele, então deseja retornar ao país (...) sem apoio de dom Hugo Chávez, nós, com muito gosto, vamos recebê-lo de braços abertos", disse Micheletti na entrevista coletiva.

 

Chávez expressou seu respaldo a Zelaya, quem em 2008 aderiu Honduras à Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), iniciativa do governante venezuelano integrada também por Cuba, Nicarágua, Dominica e Equador, entre outros países. Micheletti insistiu em que a Zelaya não foi derrubado mediante um golpe de Estado, mas foi "substituído" mediante um procedimento estabelecido na Constituição.

 

Justificou a ação contra Zelaya em que este estava cometendo um "delito flagrante" ao impulsionar uma consulta, declarada ilegal por diversos órgãos do Estado, que ia ser feita hoje na busca de respaldo para instalar uma Assembleia Constituinte. "Quando há um delito flagrante se tem a autoridade e a obrigação de deter essa pessoa, e houve um delito flagrante, e por isso foi tomada a determinação", argumentou.

 

"Não houve nada ilegal", assegurou, e ressaltou que conta com o respaldo de todas as forças políticas do país. Micheletti também disse que, até agora, não há contato com nenhum governante da América Latina. Também anunciou que o ex-embaixador nas Nações Unidas e na França, Enrique Ortez Colindres, será seu ministro das Relações Exteriores, substituindo Patricia Rodas.

 

Posteriormente, disse, anunciará os demais membros de seu gabinete e não descartou ratificar alguns do Governo de Zelaya. Micheletti, do governante Partido Liberal, foi eleito pelo Parlamento, que dirigia até hoje, em substituição de Zelaya, que proclamou na CostaRica que continua sendo o presidente de Honduras.

 

No front diplomático, cresce a pressão para que o presidente, eleito democraticamente, seja reconduzido ao cargo. O embaixador dos EUA em Tegucigalpa, Hugo Llorens, disse que Zelaya é o único governante do país reconhecido pela Casa Branca, o que foi confirmado por funcionários de Washington. Segundo eles, Zelaya é o único governante democraticamente eleito e será o único a ser reconhecido pelso Estados Unidos.

 

O Itamaraty divulgou nota em que condena de forma veemente"a retirada de Zelaya do Palácio Presidencial e sua condução para fora do país e defendeu a reposição "imediata e condicional" a suas funções. "Ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e  não condizem com o desenvolvimento político da região", acentua a nota.

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