Após libertação, Ingrid não descarta concorrer à presidência

'Se sigo com a ilusão, só Deus sabe', diz; ex-refém disputava a presidência colombiana quando foi seqüestrada

AP e Efe,

02 de julho de 2008 | 22h11

Após ser libertada pelo Exército colombiano, Ingrid Betancourt, que estava em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 2002, não descartou nesta quarta-feira, 2, voltar a disputar a presidência colombiana. "Se sigo com a ilusão de concorrer à presidência, só Deus sabe", declarou a franco-colombiana, que disputava a presidência quando foi seqüestrada.   Veja também: Exército enganou as Farc, diz ministro 'Libertação foi milagre', diz Ingrid Betancourt O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Tudo o que foi publicado sobre Ingrid   Posteriormente, a eleição em que concorria foi vencida pelo atual presidente Álvaro Uribe. Sobre o líder colombiano, ela disse que sua reeleição em 2006 foi "muito boa para a Colômbia". Ingrid declarou que durante os seis anos que estava presa na selva colombiana viu que os avanços que o presidente promoveu nas Forças Armadas teve um grande efeito na debilitação de seus seqüestradores.   Em uma coletiva de imprensa logo após o resgate, Ingrid afirmou que Uribe "tem sido um presidente muito bom". Neste momento, ela disse que quer ser "apenas ser mais um soldado da Colômbia, a serviço da pátria."   Graças a uma operação de infiltração do Exército colombiano, a franco-colombiana e outros 14 reféns das Farc foram soltos nesta quarta. Ingrid disse que sua libertação foi um "milagre", e pediu que continuassem lutando pela liberdade dos outros seqüestrados.   Em francês, ela agradeceu todos os "que acompanharam todos esse anos" seu sofrimento. "Obrigada ao presidente Sarkozy, à França, pela proteção e amor aos meus filhos", completou.   Ingrid e três americanos libertados faziam parte de um grupo de 40 reféns políticos que as Farc pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos na Colômbia.   Operação de resgate   Ingrid confirmou que soldados colombianos se infiltraram entre os membros das Farc e enganaram os guerrilheiros, fazendo com que eles entregassem os reféns. Ela contou que quando acordou, às 5 horas, recebeu a notícia de um dos comandantes do campo de que ela e outros reféns seriam levados para encontrar "algum líder da guerrilha."   "Eu perguntei se era Mono Jojoy ou Alfonso Cano, mas ele não soube me responder. Disse apenas que era alguém importante", disse Ingrid. Mais tarde, vieram os helicópteros brancos. "Quando vi os helicópteros senti algo estranho, porque durante todos esses anos, sempre que ouvíamos barulho de helicóptero tínhamos de nos esconder."   Ela contou que não suspeitou em nenhum momento que se tratava de uma missão de resgate. Quando as portas dos helicópteros se abriram, desceram vários homens com jaquetas de organizações humanitárias. "Foi uma situação surreal", definiu Ingrid.   Um desses homens, de acordo com ela, tinha uma camiseta de Che Guevara, o que reforçou a idéia de que se tratava de uma operação da guerrilha. "Eles falavam como guerrilheiros e se vestiam como guerrilheiros", afirmou.   Antes de entrar nos helicópteros, todos os reféns tiveram os pés e as mãos amarrados. "Todos nós achamos que seria mais um ato de humilhação imposto pela guerrilha." Após a decolagem, os reféns foram surpreendidos com o anúncio de um dos supostos guerrilheiros: "Somos do Exército nacional e vocês estão livres". "Nesse momento, o helicóptero quase caiu de tanto que vibramos e pulamos", disse a franco-colombiana.   Segundo o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, ninguém ficou ferido na libertação, que descreveu como um "resgate cinematográfico."

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