Após libertações, Uribe diz que não se deixará enganar por Farc

Presidente colombiano não confirma renúncia do Alto Comissário para a paz e promete agradecer Lula por apoio

Agências internacionais,

04 de fevereiro de 2009 | 08h48

O presidente colombiano, Alvaro Uribe, advertiu que não se deixará enganar pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e reafirmou sua política de luta contra a guerrilha. Uribe anunciou ainda que logo no início desta quarta-feira, 4, entrará em contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para agradecer pelo apoio na missão de recuperação dos reféns.   Veja também: Cruz Vermelha diz à Colômbia local de entrega de novo refém Alan Jara acusa Uribe de não fazer nada por reféns das Farc Farc prometem libertação de seus últimos reféns políticos Cronologia dos sequestrados das Farc Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região   Jornalistas analisam participação do Brasil    O chefe de Estado colombiano disse que insistirá no cerco humanitário sobre a guerrilha para viabilizar a soltura dos 22 membros da polícia que permanecem em poder do grupo.  "Seguimos com essa tarefa, e chegará um momento no qual ou os soltam, ou os recuperamos", advertiu Uribe nos arredores na casa em Villavicencio, cidade do centro colombiano, do ex-governador Alan Jara, libertado pelas Farc na terça-feira. "Tenho a responsabilidade com os colombianos de não deixar nos enganar pelos terroristas", disse o presidente.   O presidente se reuniu por mais de uma hora com Jara, que antes tinha declarado, em uma tumultuada coletiva de imprensa, que "Uribe não fez nada pela liberdade" dos reféns. O ex-governador, refém das Farc por mais de sete anos, afirmou também que "a atitude de Uribe não ajudou em nada a que se produzisse a troca humanitária". Uribe assegurou que respeita as declarações de Jara. "O que queremos é que se sinta alegre com seus compatriotas", disse o presidente. Uribe fez novo chamado às Farc: "Estamos prontos para a paz, não para o engano. Estamos prontos para o acordo humanitário, não para reforçar o terrorismo."   O governante reiterou que esteve disposto a buscar um acordo com os guerrilheiros, mas não à custa de pôr o país em risco. "O que eu não poderia fazer como presidente da Colômbia é tirar guerrilheiros da prisão e entregá-los às Farc para que voltem a matar", afirmou. Uribe lembrou que, faltando um acordo, também ofereceu aos rebeldes que desertassem e entregassem sequestrados uma recompensa e a liberdade condicional, mas não a anistia ou o indulto, o que a lei não permite.   Uribe afirmou que agradecerá o presidente brasileiro pelo suporte na missão. "Ligarei para o presidente Lula amanhã de manhã". A operação contou com o apoio logístico do governo brasileiro, que cedeu dois helicópteros que no domingo passado recolheram no sudoeste do país os primeiros quatro reféns, e que na quinta-feira receberá o último sequestrado. "Expresso a gratidão à senadora Piedad Córdoba, à Cruz Vermelha Internacional, ao governo do Brasil e ao presidente Lula", disse Uribe durante um encontro com a imprensa em Villavicencio.   O presidente colombiano também evitou confirmar a suposta renúncia do alto comissário governamental para a Paz, Luis Carlos Restrepo, após uma polêmica envolvendo a imprensa em Villavicencio. Uribe disse que sobre Restrepo, que coordenava a parte oficial da missão de resgate dos reféns, a única coisa que poderia falar é que "há confiança, apreço, admiração e gratidão".   Renúncia   O alto comissário para a Paz do Governo colombiano, Luis Carlos Restrepo, teria renunciado ao cargo após ter sido desautorizado em sua decisão de impedir à imprensa o acesso ao aeroporto onde desembarcou o ex-refém. Segundo a imprensa de Bogotá, Restrepo renunciou pouco após retornar de Villavicencio, cidade do centro colombiano onde o funcionário coordenava a parte oficial das missões em que os rebeldes entregaram cinco sequestrados.   Um porta-voz do Governo disse desconhecer a decisão de Restrepo de renunciar ao cargo que ocupa desde agosto de 2002, quando Álvaro Uribe assumiu a Presidência. Restrepo "apresentou sua renúncia perante o presidente Álvaro Uribe", assegura o site da revista Semana, que não cita as fontes de sua informação. A publicação diz que o alto comissário governamental para a Paz tomou a decisão após um problema com o secretário de Imprensa do governo, César Mauricio Velásquez, e com o assessor de Comunicação do Executivo, Jorge Mario Eastman.   Velásquez e Eastman, segundo a Semana, criticaram Restrepo por ter tentado impedir a cobertura jornalística no desembarque de Jara no aeroporto de Villavicencio. A decisão de Restrepo gerou forte polêmica junto à imprensa colombiana, que qualificou a medida como censura. O debate levou o governo a desautorizar Restrepo, que imediatamente retornou a Bogotá. Segundo a edição eletrônica do jornal colombiano El Espectador, a decisão de Restrepo sobre a imprensa não agradou também a Uribe, que "pediu que essa medida fosse invalidada".

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