Após morte de Marulanda, Chávez pede às Farc que selem a paz

O presidente da Venezuela,Hugo Chávez, vem pressionando para que o governo colombiano eas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) selem apaz, pois acredita que o novo líder do grupo deseja negociar,afirmou o chanceler venezuelano na terça-feira. Chávez, um político socialista e maior aliado político dasFarc, conclamou a guerrilha no domingo a libertar todos os seusreféns de forma incondicional a fim de permitir o início denegociações de paz com o governo da Colômbia, controladoatualmente por políticos conservadores. No começo deste ano, o dirigente da Venezuela mediou asoltura de seis reféns mantidos pelas Farc em acampamentos nasselvas. E o apelo dele em nome da libertação dos demaisprisioneiros aumenta a pressão para que os líderes da guerrilhafaçam concessões com vistas à paz. Essa foi a primeira declaração de Chávez a respeito daguerra civil na Colômbia desde o anúncio, no mês passado, deque o fundador e líder das Farc, Manuel Marulanda, haviamorrido e que no lugar dele encontrava-se agora um homemconsiderado mais disposto a negociar. "Houve uma mudança", disse o ministro venezuelano dasRelações Exteriores, Nicolas Maduro, a um canal de TV de seupaís, na terça-feira. "A morte do comandante Marulanda, a nomeação de um novochefe, Alfonso Cano, o cenário verificado na América Latina eas expectativas geradas por outras mudanças ocorridas nosecretariado das Farc criaram uma nova situação", disse. "Nessa nova situação, o presidente Chávez insiste naproposta de um processo de paz em que as Farc -- e esperamosque o grupo atenda ao nosso chamado -- poderiam enviar um sinalcontundente de que desejam avançar rumo à solução do conflito",disse. As Farc continuam a ser uma poderosa guerrilha financiadapelo narcotráfico e vêm resistindo a aceitar as condiçõesimpostas pelo governo para negociar e às pressõesinternacionais para libertar reféns de grande peso político. Entre as dezenas desses reféns incluem-se a cidadãfranco-colombiana Ingrid Betancourt e três norte-americanos. Apesar de as Farc estarem cada vez mais isoladas, e issodevido às pressões impostas por uma ofensiva militarpatrocinada pelos EUA, a nova liderança da guerrilha podeencontrar resistência da linha-dura do grupo, afirmamanalistas. A morte de Marulanda, aparentemente provocada por um ataquecardíaco, ocorreu pouco depois de dois dos sete integrantes dosecretariado das Farc terem sido mortos -- um, em um ataquerealizado por militares colombianos dentro do Equador, e ooutro, assassinado por seu próprio guarda-costas. (Reportagem de Saul Hudson)

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