Após perder no Paraguai, Partido Colorado entra em crise

Depois de histórica derrota nas eleições, situação se agrava com troca de acusações e renúncia

Efe,

22 de abril de 2008 | 19h58

A crise no Partido Colorado do Paraguai se agravou com a troca de acusações entre seus dirigentes e a renúncia de uma ministra, passados dois dias da histórica derrota da legenda no pleito presidencial. A queda do partido após 61 anos de poder desencadeou uma caça aos culpados entre os setores que apóiam o chefe de Estado, Nicanor Duarte, promotor da candidatura presidencial de Blanca Ovelar, e os seguidores do ex-vice-presidente do país Luis Castiglioni, que não participou da campanha.   Veja também: Lugo promete reforma agrária e governo sem corrupção Apesar de derrota, colorados pautariam mudanças no Paraguai Ouça a análise do Prof. Francisco Doratioto sobre os reflexos da eleição    A situação motivou uma série de reuniões entre os líderes governistas, que nesta terça-feira, 22, compareceram em peso à sede do governo para mostrar seu apoio a Duarte. O deputado José Chamorro, por exemplo, disse que, assim como Duarte, "Castiglioni é um líder indiscutível" de um dos movimentos do Partido Colorado, mas terá de impor sua liderança sobre o presidente em futuras disputas internas.   Por sua vez, o ex-companheiro de chapa de Castiglioni nas primárias de dezembro, Javier Zacarías Irún, afirmou que a derrota de domingo "tem nome e sobrenome", em alusão a Duarte, que deverá presidir o partido quando deixar o poder.   Zacarías, que é de Alto Paraná, um dos maiores colégios eleitorais do país e onde o Movimento Vanguardia Colorada, liderada por Castiglioni, domina, disse ainda que o chefe de Estado atuou com "soberba e imposição" durante a campanha eleitoral.   Já o deputado Arístides De la Rosa, líder do Colorado na Câmara dos Deputados, declarou, após uma reunião com Duarte, que o partido está fazendo uma autocrítica e trabalhando para retomar o poder daqui a cinco anos. "Hoje temos a triste experiência de ter de experimentar, de viver, a queda do partido", disse De la Rosa.   Quando votou no domingo, Castiglioni disse que os dirigentes políticos do país "se preocupam com sua fortuna e esquecem do povo". Segundo ele, esse fenômeno se repete "dentro de todos os partidos" e, em particular, no seu, que "sofre de uma infecção grave."   Diante dessas afirmações, o presidente dos colorados, José Alberto Alderete, que substitui Duarte no cargo até a transferência de poderes, se disse irritado em entrevista coletiva e anunciou que o tribunal de conduta do partido analisará medidas disciplinares contra o ex-vice-presidente.   A série de acusações entre os colorados também motivou na segunda-feira a renúncia da ministra da Mulher, María José Argaña, que afirmou estar "frustrada" com a gestão de Duarte durante a campanha eleitoral. A crise no Partido Colorado ficou refletida nas urnas, nas quais o ex-bispo Fernando Lugo, à frente de uma ampla coalizão, derrotou Ovelar por uma diferença de 174.414 votos, segundo os resultados oficiais.   Além da derrota nas urnas, os colorados perderam o controle de vários departamentos, como os de Misiones, San Pedro e Cordillera , para o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal suporte de Lugo.   O PLRA, segunda legenda mais forte do país, lidera a Aliança Patriótica para a Mudança (APC), integrada por partidos nanicos e grupos sociais, sindicais e de esquerda.

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