Após 'Por qué no te callas?', Chávez convida: 'Vamos a la playa?'

Depois de troca de insultos, presidente venezuelano e rei Juan Carlos se reconciliam com aperto de mãos

Agências internacionais,

25 de julho de 2008 | 07h30

O rei Juan Carlos I da Espanha e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se cumprimentaram nesta sexta-feira, 25, com um aperto de mãos pela primeira vez desde que o rei mandou que o venezuelano se calasse, na cúpula Ibero-americana em Santiago do Chile.  Chávez foi ao Palácio Marivent, residência de verão dos reis da Espanha em Palma de Mallorca, pouco antes das 11h30 (6h30 de Brasília), uma hora depois do previsto, para se reunir com o monarca. A recepção durou quatro minutos, em um ambiente relaxado no qual o rei Juan Carlos agradeceu a Chávez por ir a Mallorca. O presidente venezuelano perguntou ao rei: "por que não vamos à praia?", após comentar o calor na ilha mediterrânea, que comparou ao Caribe. Após a troca de saudações, os dois mantiveram uma reunião acompanhados pelos ministros de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, e da Venezuela, Nicolás Maduro, além do ministro da Energia e Petróleo venezuelano, Rafael Ramírez Carreño. O encontro simbolizou a normalização das relações entre os dois países. Em novembro do ano passado, o rei Juan Carlos gritou "por que não se cala?" para Chávez, quando o presidente venezuelano tentou interromper um discurso do premiê espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, na cúpula ibero-americana, no Chile. As relações entre os dois países melhoraram desde o ocorrido. O destempero do rei foi manchete ao redor do mundo e deu origem a canções, piadas e até um toque de celular. Chávez ameaçou rever suas relações comerciais e diplomáticas com o país do qual a Venezuela é ex-colônia - a Espanha investe bastante na região. Após meses de tensão, nos quais a Venezuela ameaçou nacionalizar bancos de propriedade de investidores espanhóis e vigiar outras empresas espanholas que operam no país de perto, Chávez e Zapatero se encontraram na Cúpula América Latina-União Européia em Lima, e mostraram a intenção de melhorar as relações entre os dois países.  Depois do café da manhã com o rei no Palácio Marivent, Chávez viajou para Madri, onde se reuniu com o primeiro-ministro espanhol, Jose Luis Rodríguez Zapatero. Os dois líderes enfatizaram que as relações bilaterais vivem um novo momento e que eventuais tensões do passado ficaram para trás. Zapatero observou que houve uma reaproximação e destacou as intensas relações comerciais entre os dois países. "Viemos estender a mão da amizade", disse Chávez. O líder venezuelano convidou conglomerados espanhóis, como a Repsol, para investirem em novos projetos petrolíferos em seu país. Ao comentar a recente queda nos preços internacionais do petróleo, Chávez disse acreditar que o valor do barril se equilibre em torno dos US$ 100. Camiseta  ¿Por qué no te callas?  O rei Juan Carlospresenteou Chávez com uma camiseta ilustrada com a famosa frase "¿Por qué no te callas?" (Por que não se cala?). Durante o encontro, o monarca entregou a camiseta a Chávez, conforme o presidente venezuelano contou para a imprensa em Madri.No Palácio da Moncloa, residência do presidente do governo espanhol, Chávez tentou mostrar aos jornalistas a camisa que recebeu do rei, mas ninguém de sua delegação encontrou o presente naquele momento. O que o presidente venezuelano contou que pediu a seu "amigo Juan Carlos de Borbón" um "dinheirinho" pelos direitos autorais de propriedade intelectual gerados pela famosa frase, já que foi mérito dos dois.Na época causou "furor", mas agora ficará na "lembrança", para rir por toda a vida cada vez que for lembrada, comentou Chávez, cuja visita à Espanha despertou o interesse da imprensa.Matéria atualizada às 13h50.

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