Após protestos, Chávez e Cristina suspendem viagem à Bolívia

Manifestações contra Evo Morales marcam dias antes do referendo revogatório de mandatos; dois morrem

Reuters e Efe,

05 de agosto de 2008 | 14h38

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, e a chefe de governo argentina, Cristina Kirchner, suspenderam nesta terça-feira, 5, uma viagem à Bolívia devido aos violentos protestos antigoverno no país, nos quais morreram duas pessoas, a cinco dias de um referendo revogatório de mandatos.   "Conversei com o presidente da Bolívia, Evo Morales. Decidimos suspender nossa viagem a Tarija", disse Chávez em Buenos Aires.  "Por questões de segurança, ou melhor de insegurança (...) aconselhamos que se suspenda a viagem a Tarija da presidente (da Argentina) Cristina Kirchner. Foi o que sugerimos, mas não conseguimos falar com ela", acrescentou. O governo boliviano atribui a objetivos políticos as manifestações que assolam o país, desde greves de fome até protestos de ativistas cívicos e mobilização de mineiros, que bloquearam uma estrada e entraram em conflito com a polícia. No conflito, duas pessoas morreram.   O presidente venezuelano chegou na segunda-feira a Buenos Aires para se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com Cristina, com quem viajaria a Tarija para assinar acordos de colaboração com Evo Morales. "Acusamos diretamente o responsável, o império dos Estados Unidos, o império fará tudo o possível para impedir nossa união, mas não poderá impedi-la", disse Chávez.   Rádios locais de Tarija informaram que foram registrados enfrentamentos entre a polícia e moradores que foram ao aeroporto para protestar contra a chegada de Evo. As rádios locais informaram que diversos grupos de cidadãos, liderados pelo opositor Comitê Cívico de Tarija, protagonizaram choques contra policiais e militares que tinham sido mobilizados antes da chegada ao aeroporto dos três líderes.   Segundo a imprensa, a polícia usou gás lacrimogêneo quando as pessoas, por volta das 11h30 (12h30 de Brasília), tentou atacar a pista de Tarija, cidade de maioria opositora situada cerca de 800 quilômetros ao sul de La Paz. A Rádio Pan-americana informou que os protestantes, com morteiros, paus e pedras, obrigaram a saída por alguns momentos dos membros das forças de segurança.

Tudo o que sabemos sobre:
BolíviaVenezuelaArgentina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.