Roberto Candia/AP
Roberto Candia/AP

Após saques, governo chileno anuncia distribuição de alimentos

Bachelet fecha acordo com supermercados para regiões afetadas por tremor; número de mortos passa de 700

estadao.com.br,

28 de fevereiro de 2010 | 17h13

Após ondas de saques, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou neste domingo, 28, acordo com as principais redes de supermercados do país para a entrega gratuita de produtos de primeira necessidade nas regiões de Maule, Bio-Bio e alguns setores da Araucânia. Também neste domingo, o governo decretou toque de recolher na cidade de Concepción, em Bio-Bio, e Maule, focos de saques, segundo a televisão estatal. A chefe de Estado informou que o número de mortos pelo terremoto que no último sábado assolou 80% do território chileno chegou a 708.

 

A maior parte das vítimas está concentrada na região de Maule, com 541, seguido pela localidade de Bio-Bio, com 64. Os 103 restantes morreram em outras seis regiões do país, onde estão também 2 milhões de desabrigados. Bachelet declarou "estado de catástrofe" em Maule e Bio-Bio. A Força Aérea irá levar suprimentos para as áreas e os militares vão assumir a liderança da distribuição.

 

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Em Maule e Concepción, a proibição de circular pela via pública se estenderá entre as 21h e às 6h, disse à imprensa local o general Bosco Pesce. A presidente destacou que o tremor de 8,8 graus na escala Richter é "o quinto maior na história do mundo", e pediu esforços nas tarefas de reconstrução após a "emergência sem igual." Ainda de acordo com Bachelet, o tráfego aéreo começou a ser normalizado neste domingo.

 

 

Segundo a BBC Brasil, apesar da reabertura de estradas e do aeroporto de Santiago, os grandes danos ainda estão impedindo os trabalhos das equipes de resgate, e há muita dificuldade para se chegar aos que ainda estão soterrados nos escombros.

 

Cerca de 1,5 milhões de residências foram danificadas e a polícia está se mobilizando para conter os saques em cidades como Concepción, o centro urbano mais próximo do epicentro (90 km). A prefeita da cidade, Jacqueline van Rysselberghe, disse que o município ainda não recebeu a prometida e necessária ajuda de Santiago.

 

PREJUÍZOS

 

O presidente eleito Sebastián Piñera deve assumir o cargo dentro de duas semanas e já tem se manifestado a respeito do terremoto e da reconstrução do país. "Será uma tarefa muito grande e vamos precisar de recursos", disse. A companhia de avaliação de riscos americana Eqecat calculou que os prejuízos se situem entre US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões, equivalentes a algo entre 10% e 15% do Produto Interno Bruto (PIB) chileno.

 

Em cidades costeiras, como Talcahuano, perto de Concepción, tsunamis gerados pelo tremor destruíram instalações portuárias e a infraestrutura próxima do mar. Em Curicó, a 180 quilômetros ao sul de Santiago, cerca de 90% do centro histórico da cidade foi destruído.

 

Em Chillán, mais de 200 prisioneiros escaparam depois que o edifício de uma prisão veio abaixo. Após a fuga, cerca de 60% foram recapturados. Ainda assim, o Chile não requisitou ajuda humanitária, apesar de ofertas por parte de países, organizações e instituições de caridade ao redor do mundo.

 

"Qualquer ajuda que chegar sem ter sido necessitada ajuda muito pouco", disse o ministro do Exterior, Mariano Fernández. Na sua opinião, as ofertas poderiam acabar "desviando a atenção" para os socorros do governo.

 

(Com AP, Efe e BBC Brasil)

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