Após sete anos, Fujimori volta ao Peru e enfrenta julgamento

Ex-presidente, que estava no Chile, foi extraditado por acusações de abuso dos direitos humanos e corrupção

Reuters

22 de setembro de 2007 | 19h36

O ex-presidente Alberto Fujimori voltou ao Peru neste sábado, 22, pela primeira vez desde que fugiu do país após o colapso de seu governo de 10 anos, em 2000. Extraditado do Chile, ele irá enfrentar acusações por abuso dos direitos humanos e desvio de dinheiro público.   Veja Também Os processos contra Fujimori Herói para alguns, déspota para os inimigos Grupo Colina pode incriminar Fujimori Chile aprova extradição de Fujimori   Cerca de 700 simpatizantes que aguardavam a chegada de Fujimori no aeroporto de Lima se frustraram quando seu avião foi desviado para outra base aérea.   "Viemos para dar as boas vindas a Fujimori, para dizer que estamos com ele e que o acompanharemos para que ele sinta o apoio do seu povo", disse sua filha Keiko Fujimori à AP.   Minutos após chegar à sede da Força Aérea do Peru, Fujimori foi submetido a uma revisão médica para checar seu estado de saúde.        Extradição   Fujimori chegou ao Peru um dia após a Corte Suprema do Chile autorizar sua extradição. Ele estava no Chile desde novembro de 2005, quando foi detido devido a um mandado internacional, por permitir execuções extrajudiciais.   "Eu estou feliz e satisfeita. Após tanto desespero por tanto tempo, nós não lutamos em vão", disse Gisela Ortiz, cujo irmão foi assassinado em 1992 por um esquadrão da morte do governo de Fujimori.   A corte chilena aceitou, por unanimidade, as evidências de dois famosos massacres -- conhecidos como Barrios Altos e La Cantuta -- no início dos anos 90, quando o Peru estava em guerra com o movimento rebelde maoísta Sendero Luminoso.   Estudantes, um professor e uma criança estavam entre as dezenas de mortos nos massacres, que teriam sido promovidos pelos esquadrões da morte do governo, segundo promotores peruanos. Naquela época, o governo alegou que as vítimas eram simpatizantes dos rebeldes.   Após a decisão da corte chilena, Fujimori, de 69 anos, disse a uma rádio peruana que havia cometido "grandes" erros enquanto estava no governo, mas se fosse julgado iria provar que agiu adequadamente.   Segurança   Em Lima, o governo pediu aos peruanos para que o julgamento de Fujimori, uma figura polêmica no país, não se torne "um motivo de divisão."   A parlamentar Keiko, filha de Fujimori, pediu ao governo para impedir um "circo" em torno do julgamento e afirmou temer pela vida de seu pai.   "Nós temos planos meticulosos de segurança para respeitar os direitos humanos dele", afirmou o ministro do Interior, Luis Alva. "Nós queremos que as pessoas fiquem calmas, porque a polícia está fazendo seu trabalho."   A opinião dos peruanos está dividida quanto ao legado de Fujimori quase sete anos após sua queda, e tanto opositores como simpatizantes promovem manifestações desde sexta-feira.   Para alguns peruanos, ele é o homem que teve coragem de enfrentar o Sendero Luminoso e enviar tropas à embaixada do Japão em Lima, em 1997, para acabar com um seqüestro que durou quatro meses.   Fujimori deixou o cargo nos primeiros meses de seu terceiro mandato, quando o governo entrou em colapso devido a um grande escândalo de corrupção. Ele enviou sua renúncia por fax do Japão.   Nova denúncia   O Peru apresentará ao Chile na próxima semana um novo pedido de extradição contra  Fujimori. "Um novo pedido irá tramitar por ordem da Corte Suprema de Justiça do Peru", disse.      A apresentação da nova requisição contra o ex-presidente (1990-2000) pelos supostos crimes de homicídio qualificado, calúnia e explosão das celas da penitenciária foi anunciada oficialmente pelo governo peruano no dia 13 de setembro.   Aberto especificamente para a apurar a morte de Juan Bardales Rengifo, o caso foi estendido mais tarde aos 42 presos que morreram em uma operação militar realizada na penitenciária de segurança máxima Miguel Castro-Castro, em maio de 1992.

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