Após 'traição', Cristina se reúne com bancada governista

Presidente argentina e legisladores se encontram nesta sexta para analisar a situação no Congresso após veto

Agências internacionais,

18 de julho de 2008 | 07h38

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, deve se reunir nesta sexta-feira, 18, com os legisladores da coalizão governista no Senado para analisar a situação do país após o rechaço do projeto que de lei do governo que previa pesados aumentos dos impostos sobre as exportações agrícolas. Segundo o jornal argentino Clarín, a reunião será realizada às 18 horas.   Veja também: Ouça o relato do jornalista Ariel Palacios sobre a crise Entenda a origem da crise entre ruralistas e governo Senado da Argentina veta projeto de impostos sobre grãos Para base governista, veto de vice é incompreensível Rebeldia converte vice em estrela política Desafio de governo será adotar política de negociação    A última chance de aprovar o polêmico projeto desapareceu no momento em que o vice-presidente Julio Cobos, que acumula o cargo de presidente do Senado, emitiu seu voto de minerva para desempatar a votação dos senadores - 36 haviam votado pela aprovação do projeto e 36 pela rejeição. Após a derrota, Cristina apareceu em público pela primeira vez na noite de quinta. No discurso, evitou referir-se diretamente à votação no Senado, mas lançou indiretas a Cobos. "Nos vários anos de atividade política, algumas pessoas de outros partidos me decepcionaram; e também alguns de nosso partido", declarou.   Em seu esperado primeiro discurso após o veto. Cristina não ocultou seu mal-estar. "Quero agradecer a presença de todos aqui esta noite para nos reencontrarmos, como sempre temos feito, olharmos nos olhos um dos outros e saber que nunca nos traímos", disse a presidente argentina para seus partidários na inauguração de um terminal aéreo na província de Chaco. Ao mencionar o conflito, Cristina disse que "nunca" se traiu e que escolheu um "caminho irrenunciável: representar os interesses dos menos favorecidos para construir uma Argentina com mais inclusão social e menos pobreza".   "Vamos conversar com a presidenta para avaliar toda a situação", indicou, segundo o Clarín, um importante membro dos senadores. Segundo fontes do partido, durante o encontro será analisada a situação do bloco oficialista no Congresso após o fim do projeto de lei.   Embora o projeto de lei tenha sido rejeitado, o governo ainda precisa revogar um decreto, assinado em março, que estabeleceu os aumentos e provocou a rebelião fiscal rural. O tarifaço foi o pivô do conflito que o governo manteve com o setor ruralista durante 128 dias. A crise provocou a paralisação da atividade econômica e a disparada da inflação.   As quatro maiores entidades agropecuárias do país emitiram na quinta-feira um comunicado exigindo a revogação da resolução. A nota ainda elogia o gesto "democrático" do vice-presidente.   Além do impacto político negativo para o governo, a derrota no Senado também trará problemas financeiros para a administração dos Kirchners. Sem o "tarifaço" agrário, Cristina deixará de arrecadar mais de US$ 2 bilhões neste ano, essenciais para manter um amplo superávit fiscal que permitisse ao governo manter de forma confortável sua política de subsídios.   (Com Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo)

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