AP/Natacha Pisarenko
AP/Natacha Pisarenko

Após tremor, polícia tenta reprimir saqueadores no Chile

Os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar as cerca de mil pessoas em Concepción

EFE/Dow Jones,

28 de fevereiro de 2010 | 11h28

A polícia chilena entrou em confronto neste domingo, 28, com várias famílias que saqueavam um supermercado na cidade de Concepción, uma das mais atingidas pelo poderoso terremoto de sábado.

 

Imagens da televisão mostraram pessoas correndo de supermercados em Concepción, segunda maior cidade do Chile e centro industrial, carregando objetos como leite em pó e fraldas descartáveis. Em outros lugares, homens jovens carregavam pacotes de cigarros. As pessoas também enchiam picapes com roupas e em alguns casos pequenos itens de mobília de lojas de departamentos.

 

Os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar as cerca de mil pessoas que, levadas pelo desespero, foram ao supermercado na busca de água e alimentos.

 

"É para meus filhos, não temos nada, é a pura necessidade", disse uma mãe, que corria com duas caixas de leite entre os braços.

 

"Não temos comida, não temos água, não temos nada. E Piñera (presidente eleito) vem, passeia de helicóptero e não faz nada", assinalou outra chilena ao canal de notícias chileno TVN.

 

A confusão começou perante as queixas de que não houve uma divisão adequada de alimentos. Alguns aproveitaram a situação de caos para roubar artigos eletrônicos como geladeiras e televisões.

 

O supermercado saqueado, de uma cadeia controlada pela americana Wal-Mart, está perto de um prédio de 14 andares que desabou. Acredita-se que haja 60 pessoas presas entre os escombros.

 

As pessoas que tentam comprar alimentos e outros produtos em regiões não devastadas pelo terremoto podem ter problemas se não estiverem com dinheiro, porque os caixas automáticos ainda estão fora do ar. Serviços de telecomunicações e internet permanecem irregulares.

 

Na capital Santiago, as pessoas formam filas para comprar comida em supermercados. Os jornais foram impressos normalmente neste domingo, com grandes anúncios informando os leitores sobre quais supermercados seriam abertos.

 

O governo chileno confirmou pelo menos 300 mortos no terremoto de sábado, que chegou a ser sentido em alguns bairros de São Paulo e teve 8,8 graus de magnitude na escala Richter, segundo o Instituto Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês).

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