Após três dias de caos logístico, ajuda começa a fluir no Haiti

Agências humanitárias já conseguem distribuir água, comida e remédios para população afetada pelo tremor

estadao.com.br,

16 de janeiro de 2010 | 14h36

Haitianos disputam alimentos de um supermercado destruído no tremor Foto: Gerald Herbert/AP

PORTO PRÍNCIPE - Após três dias de caos logístico, a ajuda humanitária enviada pela comunidade internacional começou a ser transportada do aeroporto de Porto Príncipe para as áreas da capital afetadas pelo terremoto de terça-feira, que deixou ao menos 40 mil mortos, 250 mil feridos e 1,5 milhão de desabrigados (16% da população), segundo o governo.

 

A tragédia no Haiti:

blog Gustavo Chacra: Haitianos tentam manter a honra intacta

link Equipes humanitárias enfrentam precariedade

link Desafio é fazer ajuda funcionar, diz Médicos Sem Fronteiras

Agências humanitárias começaram a distribuir água, comida e ajuda médica depois de que militares americanos conseguiram estabilizar a chegada de voos no aeroporto, que foi parcialmente destruído pelo tremor. Militares da 82ª divisão aérea dos EUA devem distribuir água, comida e remédios para fora do aeroporto. 

A Organização Internacional para Migrações prevê ajuda 60 mil pessoas por dia. "A ajuda deve ser distribuída rapidamente, com a ajuda do Programa Mundial de Alimentos e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef)", disse o chefe da missão da OIM no Haiti, Vincent Houver. Segundo ele, o desafio agora é armazenar a ajuda e garantir a segurança para evitar saques.

 

VEJA TAMBÉM:
video Assista a análises da tragédia
mais imagens As imagens do desastre
blog Blog: Gustavo Chacra, de Porto Príncipe
especialEntenda o terremoto
especialInfográfico: tragédia e destruição
especialCronologia: morte no caminho da ONU
lista Leia tudo que já foi publicado

Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Programa Mundial de Alimentos já consegue distribuir refeições prontas e barras de cereais para oito mil pessoas várias vezes por dia.

"Obviamente é pouco diante da demanda, mas creio que conseguiremos alimentar 1 milhão de pessoas por dia daqui a duas semanas e 2 milhões em um mês", disse. De acordo com a Cruz Vermelha Internacional, 3 milhões de haitianos foram afetados pelo terremoto.

Ainda segundo a Cruz Vermelha, um grande comboio médico está indo para o Haiti desde a República Dominicana, com 50 hospitais de campanha, equipes de cirurgia e uma unidade de telecomunicações. Mais dois hospitais de campanha de tamanho maior devem chegar nos próximos dias. Os oito hospitais de Porto Príncipe foram destruídos ou danificados no tremor, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Nos próximos dias, o caos logístico deve melhorar com a chegada do porta-aviões americano USS Carl Vinson, que deve desafogar o tráfego aéreo do aeroporto de Porto Príncipe.

Acordo Brasil - EUA

 

Em um acordo entre o Brasil e os EUA acertado neste sábado, ficou definido que os dois países trabalharão juntos na distribuição de alimentos e água em Porto Príncipe. Os brasileiros entrarão com a logística e os americanos com os mantimentos. Segundo autoridades militares brasileiras, por enquanto, não está prevista a presença de tropas dos EUA na segurança da capital do Haiti.

 

"Os americanos já conseguiram trazer a comida, por estarem mais próximos. Mas não possuem logística para distribuir. Nós temos pessoal, viaturas e caminhões para fazer a distribuição. Além disso, conhecemos bem a área", afirmou o coronel João Baptista Bernardes, comandante do Brasbatt, que controla os 1.048 soldados brasileiras no território haitiano.

 

O acerto foi feito em reunião com o adido militar americano em Porto Príncipe, Eric Stewart. Além dos suprimentos americanos, na manhã de ontem, também chegou à base brasileira 15 toneladas de comida vindas do Brasil. No início da noite, deveriam ser recebidas outras 15 toneladas. A operação de distribuição da ajuda é considerada difícil por militares brasileiros.

 

Com informações da Reuters, da Efe, da Associated Press e de Gustavo Chacra, enviado especial de

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.