Após vitória, oposição da Venezuela tenta se consolidar

A oposição venezuelana começou a seorganizar na segunda-feira para os desafios do futuro, depoisde impor ao presidente Hugo Chávez uma derrota histórica nopolêmico referendo constitucional com que ele tentava ampliarseus poderes para concretizar sua revolução socialista. O Departamento de Estado dos Estados Unidos comemorou avitória do "Não" na consulta popular de domingo, com pouco maisda metade dos votos, afirmando que os venezuelanos rejeitaram aerosão da democracia representada pelo governo Chávez. Os mercados financeiros respiraram aliviados com a derrotada proposta de reforma constitucional, que permitiria suareeleição sem nenhuma limitação. "Há um capital político, um capital humano presente nessavotação, que tem de ser organizado para avançarmos para umaConstituição da maioria, e assim fortalecer as alternativas quea juventude está apresentando", disse Ricardo Sánchez,dirigente estudantil e oposicionista. Os estudantes foram uma peça-chave na consolidação dafragmentada oposição a Chávez, que em dezembro do ano passadofoi reeleito para mais seis anos de mandato com maioriaavassaladora de votos. Sánchez ressaltou para a Globovisión que a prioridade seráorganizar a mobilização eleitoral. Chávez reconheceu sua derrota, a primeira em seus nove anosno poder, na madrugada de segunda-feira, mas deixou a portaaberta para uma nova tentativa de aprovar a reforma, que tambémpretendia ampliar a assistência à economia informal e reduzir ajornada de trabalho de oito para seis horas diárias. "Claramente é um recado do povo venezuelano de que ele nãoquer mais erosão em sua democracia e em suas instituições",disse a jornalistas Sean McCormack, porta-voz do Departamentode Estado dos EUA. De acordo com analistas, vários setores da populaçãofavoráveis ao presidente não viam a reforma com bons olhos, oque significou uma perda de mais de 3 milhões de votos para ogoverno, em comparação com a eleição presidencial, devido àalta taxa de abstenção.

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