Apuração cerca de 90% das urnas ratifica Constituição na Bolívia

Proposta de Evo já tem 61% dos votos contra 38% contra; "sim" vence em Chuquisaca e desequilibra oposição

Agências internacionais,

28 de janeiro de 2009 | 08h06

A apuração de cerca de 90% das urnas do referendo constitucionais realizado no domingo na Bolívia ratificou a aprovação da Constituição proposta por Evo Morales. Segundo os últimos dados divulgados pela Corte Nacional Eleitoral, o "sim" obteve 61,08% dos votos contra 38,92% do "não". Os dados apontam ainda que apenas 1,61% de votos brancos e 2.61% nulos.  De acordo com os resultados oficiais, o "sim" ganhou no Departamento de Chuquisaca, que estava indefinido, desequilibrando o rechaço da Constituição na chamada "Meia Lua" opositora. Com a vitória de Evo na região, cinco Estados apoiaram a nova Carta Magna referendada: La Paz, Oruro, Potosí, Cochabamba e agora Chuquisaca; o "não" venceu em Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija. Os resultados em Chuquisaca foram rechaçados pela prefeita Savina Cuéllar, que chegou a denunciar que "a fraude ganhou" no Departamento. Evo começou na terça a elaborar com seu gabinete um plano para implementar a polêmica Constituição aprovada em referendo no domingo. Uma reunião ministerial foi realizada na localidade de Huajchilla, nas imediações de La Paz, e estava prevista para terminar no fim da tarde. Em todo o país, camponeses aliados de Evo ameaçaram fazer grandes protestos se a oposição não reconhecer a nova Carta. O texto aumenta o controle do Estado sobre a economia, permite a reeleição do presidente e amplia os direitos (para alguns, privilégios) dos indígenas da Bolívia.  Para que todas as suas disposições entrem em vigor, porém, o Congresso boliviano precisará aprovar cem leis complementares. Como a oposição domina o Senado, isso não será tão simples. Outro fator que deve dificultar a implementação da nova Carta é que a oposição regional - líderes políticos e cívicos das regiões de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija - ameaça não executar as medidas determinadas pela nova Carta. Na segunda-feira, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, e o de Tarija, Mario Cossío, pediram um "pacto social" para modificar seu texto, mas a proposta foi rejeitada por Evo.  Segundo analistas, os efeitos da crise global sobre a economia boliviana também devem ser um obstáculo para os planos de Evo. "Podem faltar recursos para as nacionalizações", disse ao Estado Fernando Molina, diretor do semanário político e econômico Pulso. "Hoje o governo já não pode tirar da gaveta um projeto para nacionalizar o setor elétrico por falta de dinheiro. Isso vale também para outros setores."  O economista boliviano Alejandro Mercado alerta para a possibilidades de a situação da economia boliviana ser prejudicada por algumas medidas previstas na nova Constituição. Ele menciona a nova lei que proíbe empresas estrangeiras de remeterem lucros para seus países de origem. "Só um louco continuará a investir aqui", disse Mercado. (Com Ruth Costas, de O Estado de S. Paulo)

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