Arcebispo de Caracas renova críticas a Chávez na Assembleia Nacional

Para Jorge Urosa, presidente viola a Constituição venezuelana e leva o país ao marxismo

Efe,

27 de julho de 2010 | 18h45

CARACAS- O arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa, ratificou nesta terça-feira, 27, diante da Assembleia Nacional, sua opinião de que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e seus deputados violam a Constituição com seu plano socialista, em uma sessão a portas fechadas, à qual a imprensa não teve acesso.

 

Urosa, que aceitou o convite feito pelos membros da direção do Legislativo para explicar suas acusações, não alcançou seu objetivo de que a interpelação fosse transmitida ao vivo pela rede de emissoras estatais de rádio e televisão do país.

 

O canal oposicionista Globovisión disse que o cardeal leu um documento diante dos membros da Comissão Coordenadora da Assembleia Nacional no qual deixou claro que emitiu opiniões, mas que não foi sua "intenção" fazer acusações ou denúncias.

 

Ele também disse, segundo o canal, que as opiniões que emitiu sobre a vida política e social do país estão amparadas nos valores da democracia, nos direitos humanos e no pluralismo, consagrados na Constituição da República, e que sua pregação é religiosa "e de moral tanto individual quanto social", e não partidária.

 

"O cardeal manteve valentemente sua posição, em termos muito respeitosos, muito sérios e muito responsáveis (...) e afirmou que há leis aprovadas pela Assembleia que violam a Constituição", declarou aos jornalistas o deputado Ismael García, do partido oposicionista Podemos, durante a sessão.

 

A presidente da Assembleia Nacional, Cilia Flores, discursou no início da sessão e foi seguida por Urosa.

 

A polêmica entre a hierarquia eclesiástica, o governo e a Assembleia Nacional, de maioria governista, surgiu no início de julho, quando o cardeal disse que Chávez violava a Constituição ao querer impor uma "ditadura comunista" no país e que era apoiado por deputados.

 

O presidente respondeu afirmando que ele era um "troglodita" e um "indigno" e, desde então, praticamente diariamente se refere a ele, cumprindo o compromisso que assumiu publicamente de criticá-lo por "toda a vida".

 

Antes de entrar na reunião, o deputado Ulises Daal, presidente da Comissão de Participação Cidadã da Assembleia, disse aos jornalistas que ia perguntar a Urosa se ele estava ciente de que devido a sua "estatura e hierarquia" sua declaração poderia ser interpretada como "uma ação orientada a desestabilizar" o país.

 

"Não fez um chamado à reflexão", mas "qualificou de inconstitucional, de ilegal (o caminho socialista)", disse Daal. "É evidente uma intenção orientada a gerar uma angústia, uma confusão que poderia derivar em situações que levassem à desestabilização", acrescentou.

 

Em sua conta no twitter, o deputado da Unidade Democrática Juan José Molina informou que Urosa "exigiu" que a interpelação fosse transmitida ao vivo , mas Flores "negou esse direito", assegurando que ela "seria transmitida depois".

 

"Seguramente nada vai impedir que o povo saiba o que discutimos aí dentro, porque estamos comprometidos com a verdade e a verdade pode ser escondida por alguns momentos, mas definitivamente sempre aparece", afirmou aos jornalistas o deputado do Podemos Ricardo Gutiérrez.

 

Por sua parte, o arcebispo de Coro, Roberto Lückert, pediu à Comissão Coordenadora da Assembleia Nacional que escute "com seriedade" as declarações feitas pelo cardeal Urosa, que cumpre "com seu dever" de pôr "as coisas em preto e branco".

 

"Ele (Urosa) não inventou nada, nem está insultado ninguém, mas está dizendo uma verdade que estão esfregando em nossas caras há mais de 11 anos, de que este governo vai para a direção do 'Castro-comunismo'. O presidente da República quer nos ancorar no mar da felicidade cubana", disse Lückert, em declarações ao site do jornal El Universal.

 

O arcebispo criticou a decisão de não transmitir a interpelação ao vivo e a considerou "uma estratégia" para evitar que a população ouça os argumentos de Urosa.

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