Argentina adverte que reabrirá estradas fechadas por grevistas

Após 1.º "panelaço" do governo de Cristina, ministro diz que manifestantes não vão "extorquir a sociedade"

Agências internacionais,

26 de março de 2008 | 11h49

O ministro da Justiça da Argentina, Aníbal Fernández, advertiu nesta quarta-feira, 26, que as forças de segurança liberarão as estradas bloqueadas há 14 dias por produtores agropecuários em protesto pelo aumento de impostos. Mais de 5 mil argentinos voltaram a bater suas panelas e tampas para protestar contra o governo na Praça de Maio. A presidente Cristina Kirchner provocou a ira do campo e de todos os que apóiam a atividade agrícola no país com um discurso duro, agressivo e em direção contrária ao diálogo. Veja também: Argentinos fazem 1.º panelaço contra Cristina  Buenos Aires amanheceu em calma após o ataque de grupos governistas a milhares de manifestantes que fizeram um "panelaço" em frente à sede do Executivo. Porém, milhares de caminhões continuam impedidos de seguir viagem por piquetes nos arredores da cidade de Gualeguaychu, a cerca de 270 quilômetros da capital argentina, na estrada 14, um dos principais escoadouros do transporte de alimentos e do comércio entre os membros do Mercosul. "Se eles não saírem do caminho, nós os faremos sair. Respeitamos o protesto, mas ninguém é mais bonito do que ninguém aqui", disse o ministro ao afirmar que os bloqueios têm parado o transporte de alimentos e já gerou inclusive regiões desabastecidas. Fernández declarou que "não haverá repressão porque não a fizemos em nenhum momento". Também continuam bloqueadas rodovias nas províncias de Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé - que concentram a maior parte da produção agropecuária argentina - e em outros distritos do norte do país. "Tentaremos liberar os caminhos e permitir que os produtos cheguem aos destinos de consumo", disse Fernández ao canal de notícias a cabo TN. "Se eles acham que têm o direito de extorquir a sociedade bloqueando uma passagem, o governo exercerá seu poder de polícia e liberará o tráfego", advertiu o ministro da Justiça. Fernández destacou que os lugares-chave do conflito estão cheios de policiais que não estão incentivando nenhum tipo de enfrentamento e que todos os conflitos que poderiam ter acontecido foram dissipados. O ministro argentino destacou que o governo expressou "várias vezes" sua disposição ao diálogo para acabar com a greve, organizadas pelas quatro maiores associações de produtores agropecuários que juntos reúnem aproximadamente 290 mil filiados. Enquanto isso, fontes da Federação Agrária e de Coninagro, que representam pequenos produtores em greve, disseram à Efe que farão um protesto nesta quarta na cidade de Córdoba, capital da província do mesmo nome, e entregarão uma lista de reivindicações ao governador local, Juan Schiaretti. Ele é um dos governadores que pediu tanto ao governo argentino quanto aos grevistas para acalmarem os ânimos e retomarem o diálogo para superarem o conflito. Reação ao governo Logo após o discurso de Cristina, os produtores e suas famílias que ainda não estavam nas estradas e rodovias fazendo piquetes contra os caminhões de cargas agropecuárias, saíram de suas fazendas e chácaras. E na capital federal e grandes cidades que ainda estavam alienadas ao locaute agropecuário, a população foi para as ruas com suas panelas para defender o homem do campo. Parentes de agricultores, donos de terras que não as cultivam, mas que alugam para os produtores e gente que simplesmente decidiu apoiar o locaute encheram a Praça de Maio, palco histórico das grandes manifestações políticas do país. "Não tenho nada a ver com o campo, mas esse é um protesto de todos e por todos, porque falta carne e outros produtos, os preços são remarcados com a velocidade da luz e o Indec é uma farsa", justificou Ramiro Nunez, motorista de táxi que estava batendo uma grande colher de alumínio em uma tampa de panela. A estudante Rocío Diaz disse que "já não basta apresentar um crescimento estupendo do país, se o discurso oficial é dos anos 1970 e não há diálogo com os setores que produzem e fazem parte deste crescimento e é por isso que estou aqui, porque não quero que meu país seja uma ditadura dos Kirchner". Por volta de meia-noite, o movimento pacífico da Praça de Maio foi interrompido pela violência dos "piqueteiros K", os desempregados que vivem à custa de subsídios do governo, primeiro de Néstor Kirchner, e agora de Cristina. Liderados pelos aliados políticos do governo Emilio Pérsico, do Movimiento Evita, e Edgardo de Petri, de Frente Transversal, os piqueteiros expulsaram os manifestantes com empurrões e enfrentamentos. De madrugada, a praça estava ocupada somente pelos piqueteiros e grupos políticos. (Com Marina Guimarães, da Agência Estado)

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