Argentina considera 'infelizes' declarações de enviado dos EUA

Secretário adjunto para a América Latina criticou direção econômica de Buenos Aires e causou desconforto

Efe,

18 de dezembro de 2009 | 12h55

O chanceler argentino, Jorge Taiana, conversou com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, na quinta-feira, 17, sobre as "desafortunadas declarações" do secretário de Estado adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela, sobre a suposta "inseguridade jurídica na Argentina".

 

Fontes da chancelaria argentina confirmaram que o encontro entre Taiana e Hillary ocorreu na noite da quinta-feira, em Copenhague, na Dinamarca, onde se realiza a cúpula das mudanças climáticas.

 

"Taiana se encontrou com Hillary à noite no jantar de presidentes e chanceleres em Copenhague. Conversaram a sós e Taiana manifestou pessoalmente o que o governo acha, que as declarações de Valenzuela foram desafortunadas", indicaram porta-vozes.

 

A polêmica se desatou pelas declarações do funcionário americano na quarta-feira, quando disse que as empresas americanas têm dúvidas sobre como é dirigida a economia argentina. Valenzuela apontou também que notou uma "mudança" a respeito das inversões das companhias dos EUA e lembrou que "em 1996 (durante o governo de Carlos Menem) havia muita intenção e entusiasmo para investir" no país.

 

As declarações de Valenzuela foram classificadas de "pouco afortunadas" por vários funcionários do governo Kirchner. "As declarações foram infelizes e mais infeliz ainda foi a menção ao período da presidência de Menem, em 1996, como um período de grande auge, quando era exatamente o momento em que a Argentina se dirigia como um trem sem freio à pior crise econômica de sua história", afirmou Taiana em Copenhague.

 

O chanceler também lamentou que o americano "demonstre tão pouco conhecimento da realidade da Argentina". "Já dissemos há uns dois meses que não há reclamações ou problemas com as empresas. Certamente não há nada disso para as cerca de 500 empresas americanas que estão na Argentina", acrescentou Taiana.

 

Para apaziguar o incidente, o chefe de gabinete Argentino, Aníbal Fernández, afirmou nesta sexta que Valenzuela, "por mais importante que seja, não é os EUA".

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