Argentina diz estar ofendida com EUA no caso da mala

Governo nega que dinheiro seria usado para financiar a campanha eleitoral de Cristina Kirchner

Efe,

19 de dezembro de 2007 | 01h28

O governo argentino disse nesta terça-feira, 18, aos Estados Unidos que se sente "ofendido, de forma surpreendente e injusta" por causa da atitude do governo americano no caso da mala. Um empresário venezuelano em agosto tentou entrar em Buenos Aires com US$ 800 mil não declarados. O chanceler argentino, Jorge Taiana, transmitiu a queixa ao embaixador americano em Buenos Aires, Earl Wayne, em uma reunião que durou 40 minutos. Segundo as fontes, Taiana transmitiu o "desagrado e mal-estar" da Argentina com a atitude americana no caso. Ele disse a Wayne que "cabe ao governo americano dar os passos necessários para a extradição" do venezuelano Guido Antonini Wilson. O chanceler disse ainda na reunião que para a Argentina "não tem cabimento" a tese de que a campanha eleitoral da presidente Cristina Fernández, que assumiu o poder há oito dias, "pudesse ter sido financiada por procedimentos espúrios". Suspeita americana A Justiça dos EUA suspeita de que os US$ 800 mil apreendidos com Wilson estavam destinados a financiar a campanha eleitoral da atual presidente da Argentina. O empresário viajou de Caracas a Buenos Aires a bordo de um avião fretado pela estatal Energia Argentina (Enarsa), no qual viajavam também funcionários da Petróleos de Venezuela (PDVSA), às vésperas de uma visita à Argentina do presidente venezuelano, Hugo Chávez. A juíza argentina Marta Novatti, que tinha pedido em setembro a extradição de Wilson por "tentativa de contrabando", expediu nesta terça-feira um precatório à Chancelaria. Ela acrescentou ao requerimento a acusação de "lavagem de dinheiro". A magistrada se baseou em um ofício da promotora María Luz Rivas Diez, que investiga o caso com o seu colega Mariano Borinsky, informaram fontes judiciais. Novatti já pediu às autoridades dos EUA, via Interpol, informação oficial sobre a detenção em Miami de três venezuelanos e um uruguaio, e cópias de declarações deles afirmando que o dinheiro de Wilson estava destinado à campanha eleitoral de Fernández. Ex-presidente O ex-presidente Néstor Kirchner disse nesta terça-feira que as relações com os EUA "não são boas" e exigiu que a Justiça americana "entregue" Wilson. Em sua primeira intervenção pública desde que deixou a Presidência, o marido de Cristina Fernández considerou "uma vergonha" o processo aberto em Miami contra os três venezuelanos e um uruguaio. Eles são acusados de conspirar para atuar como agentes a serviço da Venezuela e em conexão com Wilson. "Estamos sendo manipulados por uma quadrilha de mafiosos. A Argentina não é uma colônia, é um país, e deve ser respeitado", ressaltou o ex-presidente. "Extraditem Wilson, porque nós, argentinos, queremos saber a verdade das coisas", insistiu.

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