REUTERS/Marcos Brindicci
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Argentina inicia dura campanha presidencial em plena recessão

Macri busca reeleição, mas perde nas pesquisas para a chapa de Alberto Fernández com Cristina Kirchner

AFP, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2019 | 03h46

Em meio a uma recessão, a Argentina deu início à corrida presidencial no sábado, 22. O presidente Mauricio Macri, um liberal, busca a reeleição e se opõe a Alberto Fernández, que encabeça a chapa peronista  com a ex-presidente de centro-esquerda Cristina Kirchner. Enquanto Macri tem menos de 30% de intenções, segundo pesquisas, Fernández tem mais de 30%.

O terceiro na disputa é o centrista Roberto Lavagna, que está defesado no cenário polarizado entre o macrismo e o kirchnerismo.

O país vai às urnas em meio a uma recessão que começou no ano passado e deixou pobreza (32% em 2018), desemprego (10,1% no primeiro trimestre de 2019) e inflação (47,6% em 2018 e acumulou mais de 19% até maio passado).

Milhares de pessoas têm caído na pobreza nos últimos meses, ante a dramática combinação de falta de trabalho e inflação, especialmente em produtos básicos como leite, carne e pão, e muitos devem frequentar as cozinhas de caridade. Somam-se a isso os aumentos de até 1.000% nas tarifas de eletricidade, gás, água e transporte, que até 2015 foram subsidiadas.

A recessão afetou a popularidade de Macri, um engenheiro de 60 anos que busca governar o país por mais quatro anos, mas não para deixá-lo fora do negócio.

'Não voltar ao passado'

Crítico das políticas protecionistas, de controles e subsídios que caracterizaram o governo de Cristina Kirchner (2007-2015), Macri sofreu variações câmbiais devastadoras e recebeu uma ajuda de US$ 56 milhões do Fundo Monetário Internacional em 2018. Em contrapartida, Macri prometeu alcançar o equilíbrio fiscal em 2019 e um superávit em 2020.

Ele aparece na coalizão que o acompanhou nos últimos anos, que compõe seu partido Proposta Republicana (PRO) e a União Cívica Radical (UCR), que acrescentou um setor do peronismo de direita ao incluir como candidato à vice-presidência o senador Miguel Ángel Pichetto, que até poucos há dias era o chefe do bloco parlamentar do Partido Justicialista (peronista).

Macri pede que "não se volte ao passado", em alusão ao período kirchnerista, porque, para ele, seria o equivalente a uma autodestruição. Mas as pesquisas mais recentes mostram que a chapa Macri-Prichetto tem menos de 30% das intenções de voto.

Tornar o país mais 'habitável'

Por outro lado, a chapa emcabeçada por Alberto Fernández, que reúne diversas correntes do peronismo de centro e esquerda, explora as dificuldades econômicas - especialmente pobreza e desemprego - e se apresenta como o setor com maior sensibilidade social, prometendo uma ascensão social à população e uma Argentina mais "habitável". 

Fernández, que foi chefe de gabinete do ex-presidente Néstor Kirchner e de Cristina Kirchner, acrescentou o tom moderado necessário para que a proposta eleitoral agregasse setores peronistas distanciados da visceral ex-presidente. A chapa tem mais de 30% da preferência segundo as pesquisas.

Despolarizar

A terceira força em disputa, encabeçada pelo ex-ministro da Economia Roberto Lavagna e seguida pelo ex-governador de Salta Manuel Urtubey, têm 10% das intenções de voto. Ambos são peronistas de centro e surgiram como uma alternativa à polarização.

A iniciativa, no entanto, perdeu força com a adesão de Fernández na fórmula eleitoral de Kirchner, que arrastou uma porção importante do que se conhecia como Alternativa Federal e agora se apresenta com o nome de Consenso Federal. 

Binômios definidos

Antes da eleição presidencial de 27 de outubro, as alianças devem se submeter a primárias abertas e simultâneas em 11 de agosto, que de fato operam como uma grande pesquisa nacional porque evitaram a competição interna com acordos laboriosos.

Na primeira rodada de outubro, só haverá um candidato vitorioso se ele obtiver 45% dos votos, ou se atrair 40% e uma diferença maior que 10% com o segundo mais votado. Caso contrário, haverá uma votação em 24 de novembro.

Na primeira rodada, metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado também serão renovados; o governador da província de Buenos Aires será eleito, o maior e mais populoso do país, com 44 milhões de habitantes, além de outros três distritos.

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