Pedro Pardo/ AFP
Pedro Pardo/ AFP

Chile e México vacinam as primeiras pessoas contra a covid-19; Argentina recebe imunizante

Na véspera do Natal, profissionais da saúde começam a receber a vacina nos países latino-americanos; imunização continua por fases determinadas pelos governos

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2020 | 11h09

A América Latina avança na imunização contra a covid-19 na reta final de 2020. Chile e México iniciaram nesta quinta-feira, 24, campanhas nacionais de vacinação, enquanto a Argentina recebeu o primeiro carregamento de doses da Sputnik V, vacina de origem russa que deve ser aplicada no país em breve.

Segundo país mais populoso da região - atrás apenas do Brasil - o México iniciou sua campanha de vacinação com a aplicação da primeira dose das vacinas desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech. No país, a primeira pessoa a ser vacinada foi a enfermeira María Irene Ramírez, de 59 anos.

María recebeu a dose em uma cerimônia ao ar livre no Hospital Geral, na Cidade do México, onde teve início a primeira fase da vacinação com os profissionais da saúde que atuam no combate à doença. "Estou um pouco nervosa, mas muito feliz. É o melhor presente que poderia receber em 2020, dá mais segurança e ânimo para seguir na guerra contra um inimigo invisível. Temos medo, mas devemos seguir", disse a enfermeira, antes de receber a vacina.

"São poucas doses, mas o México é o primeiro na América Latina a ter esta vacina. Os que estão arriscando suas vidas para salvar outros são os primeiros a recebê-la", disse o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador. O chefe de Estado de 67 anos indicou que espera ser vacinado em março, quando chegará sua vez de acordo com o cronograma estabelecido pelo governo de acordo com o nível de risco e a idade.

A segunda pessoa a receber a vacina foi uma enfermeira de Querétaro e a terceira um médico de Toluca, cidades da região central do país. No decorrer do dia serão vacinadas 2.975 pessoas que trabalham em unidades de tratamento da covid-19, incluindo médicos, enfermeiras, auxiliares de enfermagem, trabalhadores de laboratório e funcionários de limpeza.

Assim como o México, o Chile iniciou uma campanha nacional de imunização na véspera do Natal. A vacinação foi iniciada no mesmo dia em que o carregamento de 10 mil doses da Pfizer/BioNTech pousaram no país. A primeira fase da campanha será destinada apenas a profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à doença.

As vacinas chegaram cedo ao aeroporto de Santiago, em um avião vindo da Bélgica. O transporte das doses do aeroporto até o centro de distribuição foi realizado sob escolta policial.

A primeira pessoa a ser vacinada no país foi a enfermeira Zulema Riquelme, de 46 anos, no Hospital Metropolitano de Santiago. "Estou muito emocionada, nervosa; são emoções múltiplas", disse Zulema, antes de receber a primeira dose da vacina, em resposta a uma pergunta do presidente Sebastián Piñera, que acompanhou a aplicação.

"Você é a esperança de todos", disse Piñera à enfermeira, que trabalha há 26 anos no Hospital Sótero del Rio, na comuna de Puente Alto, uma das mais populosas de Santiago. Depois de Zulema, foram vacinados um médico e uma enfermeira.

No Chile, o planejamento do governo é vacinar 15 milhões de pessoas ainda no primeiro semestre de 2021. As primeiras doses, entretanto, serão destinadas apenas para profissionais de saúde, assim como no México, mas apenas aqueles que trabalham na Unidade de Tratamento Intensivo, com pacientes críticos das regiões mais afetadas do país. Na sequência, serão vacinados o resto dos profissionais de saúde, idosos, pessoas com doenças crônicas. A última fase atenderá a população em geral.

Segundo Piñera, o Chile já garantiu 30 milhões de vacinas, após um acordo que garantiu o acesso a 10 milhões de doses da Pfizer/BioNTech e a mesma quantidade do laboratório chinês Sinovac. As outras 10 milhões foram adquiridas por meio de acordos com os laboratórios AstraZeneca-Oxford, Janssen de Johnson & Johnson e da Covax.

Argentina recebe primeiro lote de doses da vacina russa Sputnik V

Enquanto Chile e México iniciaram suas campanhas de imunização, a Argentina recebeu nesta quinta o primeiro lote de 300 mil doses da vacina contra a covid-19 Sputnik V, elaborada pelo Centro de Epidemiologia e Microbiologia Nikolai Gamaleya, na Rússia. Com o recebimento do imunizante, o país deve iniciar em breve seu plano de vacinação. O acordo assinado pelo governo argentino prevê o fornecimento de 25 milhões de doses.

A Sputnik V foi aprovada "em caráter de emergência" pelo Ministério da Saúde argentino nesta quarta-feira, 23. É a primeira autorização que o imunizante russo recebe na América Latina, informou um comunicado do Fundo de Investimento Direto da Rússia, que participou do financiamento do desenvolvimento da vacina.

Ainda na quarta-feira, o órgão regulador de alimentos e medicamentos da Argentina (ANMAT) autorizou o uso da vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNtech, enquanto o governo negocia um acordo com a empresa. 

O país também já tem convênios para fornecimento de vacinas com a Universidade de Oxford associada à farmacêutica AstraZeneca, e faz parte do mecanismo Covax da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Argentina tem mais de 1,5 milhão de casos confirmados do novo coronavírus e contabiliza mais de 42 mil mortes. /AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.