Argentina reforça policiamento após ocupações de terrenos

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, ordenou na segunda-feira a mobilização de 6.000 policiais adicionais para a periferia de Buenos Aires, em reação a incidentes violentos ligados a ocupações de terrenos.

HELEN PO, REUTERS

20 de dezembro de 2010 | 21h03

Três pessoas morreram neste mês num confronto entre moradores do subúrbio chamado Villa Soldati e milhares de sem-teto que armaram barracas em um parque municipal para reivindicar moradias.

O incidente foi o fato mais grave no governo de Cristina desde a morte do marido, antecessor e mentor político dela, Néstor Kirchner, em 27 de outubro. Críticos acusaram o governo centro-esquerdista de ter lidado mal com o caso.

Cristina, que anunciou a criação de um Ministério da Segurança uma semana depois dos confrontos, buscou na segunda-feira, ao anunciar o reforço policial, salientar ainda mais seu compromisso de combater a criminalidade e manter a lei e a ordem.

"O direito de viver pacificamente, sem crimes, é o direito de cada cidadão", disse a presidente, que apoia a polêmica decisão do seu novo ministro da Segurança de proibir a polícia de usar munição real e balas de borracha em manifestações.

"Não se pode avançar da mesma forma quando você está lidando com criminosos organizados e com manifestações sociais, mesmo quando esses manifestantes se comportam de uma forma que não deveria ser imitada", acrescentou Cristina em discurso transmitido televisão.

Cristina, que sempre se mostra preocupada com as questões de direitos humanos, propõe o uso moderado da força policial, mas alguns adversários direitistas dizem que seria necessária mais dureza no combate ao crime - inclusive no caso das ocupações de terrenos.

A dez meses de uma eleição em que ela deve buscar um novo mandato, a criminalidade aparece como a maior preocupação dos eleitores argentinos.

Numa recente pesquisa do instituto Equis na Grande Buenos Aires, 70,8 por cento dos entrevistados disseram que a criminalidade é o maior problema argentino, bem acima do desemprego, da educação e da inflação.

A situação é particularmente grave para moradores das áreas urbanas da província de Buenos Aires, que cerca a capital propriamente dita. Essa é uma região que abriga quase um quarto do eleitorado argentino, e que tradicionalmente é uma importante base eleitoral do kirchnerismo.

As imagens de jovens encapuzados atirando pedras contra famílias de sem-teto na Villa Soldati são desconfortáveis para a presidente, que costuma destacar os esforços do seu governo para redistribuir riquezas. Alguns dos sem-teto dizem não ter mais condições de pagar aluguéis mensais em torno de cem dólares nas favelas próximas dali.

(Reportagem adicional de Guido Nejamkis)

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