Argentina se consolida como mediadora do conflito entre Colômbia e Venezuela

Casal Kirchner recebe dirigentes de ambos os países às vésperar da reunião da Unasul

Marina Guimarães, Agência Estado

27 de julho de 2010 | 11h40

BUENOS AIRES - A Argentina se consolida nesta terça-feira, 27, como mediador do conflito entre Colômbia e Venezuela ao receber o chanceler venezuelano Nicolás Maduro. Em uma situação inédita na política local, a presidente Cristina Kirchner e o marido Néstor Kirchner, ex-presidente (2003-2007) e atual secretário da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), negociam uma aproximação dos dois países. Na segunda, eles se reuniram, separadamente, com o presidente colombiano eleito Juan Manuel Santos.

 

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Na noite de terça, Cristina recebeu Santos na Casa Rosada, onde conversaram sobre as soluções para a crise entre seu país e a Venezuela. Na quinta-feira passada, o líder venezuelano Hugo Chávez anunciou a ruptura das relações com a Colômbia e enviou 20 mil militares para a região da fronteira. O gesto foi uma reação à denúncia do embaixador colombiano junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) de que Chávez dá guarita a 1.500 rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).

 

O encontro com Santos já estava marcado há duas semanas e fazia parte da série de viagens que ele empreendeu à região antes de tomar posse no próximo dia 7 de agosto. Porém, com a elevada tensão entre os dois países, o assunto dominou a agenda com Cristina, e continuou com o jantar que o presidente eleito teve com Néstor Kirchner, na residência do embaixador colombiano em Buenos Aires.

 

Como secretário-geral da Unasul, Kirchner iniciou as conversas com os dois lados do conflito para tentar apaziguar a tensão. "Dois países irmãos não podem estar enfrentados", definiu Kirchner momentos antes do jantar, sem recordar que quando ele era presidente da Argentina iniciou um conflito com o Uruguai.

 

Kirchner, no entanto, se propõe em "aportar paz" à tormentosa relação entre Álvaro Uribe e Hugo Chávez. No dia 5, ele vai se reunir com Chávez, em Caracas, e um dia depois com Uribe, em Bogotá. No dia seguinte será a posse de Santos, que contará com a presença dos Kirchner

 

Antes, porém, Néstor vai manter um segundo encontro com o presidente eleito, com quem Chávez já manifestou abertura para dialogar e encontrar um consenso. O chanceler Maduro antecipou que na reunião entre os chanceleres da Unasul, marcada para esta quinta-feira em Quito, a Venezuela vai apresentar uma proposta de paz.

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