Argentina volta a acusar EUA sobre o 'escândalo da maleta'

EUA diz que campanha de Cristina Kirchner recebeu dinheiro ilegal; Argentina acusa serviço de inteligência

Efe,

22 de dezembro de 2007 | 20h17

O chefe de gabinete argentino, Alberto Fernández, insistiu neste sábado, 22, que o chamado "escândalo da maleta" é "uma formidável ação dos serviços de inteligência americanos", e negou que o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson tenha visitado a Casa Rosada, residência oficial do governo da Argentina. Fernández fez tal comentário em declaração à rádio argentina Mitre, em referência à investigação sobre o confisco dos US$ 800 mil não declarados contidos em uma mala com a qual Wilson tentou entrar em Buenos Aires no último mês de agosto.  Desta maneira, o governo argentino questionou mais uma vez a conduta dos Estados Unidos, depois de o promotor adjunto Thomas Mulvihill, de Miami (EUA), ter dito que o dinheiro era destinado à campanha presidencial de Cristina Fernández de Kirchner, empossada no cargo no último dia 10. "É uma operação que vai se acomodando de acordo com as necessidades políticas que a impulsionam", enfatizou Fernández.  A documentação apresentada pela Promotoria confirma a ligação da Venezuela no financiamento da campanha eleitoral de Cristina, que disse ser vítima de uma "operação suja" e recebeu o apoio do Parlamento argentino, de maioria governista. A promotora argentina María Rivas Diez revelou que uma funcionária do governo do país afirmou que Wilson esteve na Casa Rosada dois dias depois do incidente da mala, acontecimento que coincidiu com uma visita do presidente venezuelano, Hugo Chávez, à Argentina. "Essa pessoa nem sequer diz que o viu", disse Fernández em alusão às declarações da testemunha, que disse ter viajado com Wilson de Caracas para Buenos Aires junto com funcionários dos governos dos dois países. Wilson teve sua extradição pedida por uma juíza argentina por acusações de lavagem de dinheiro.  Segundo os documentos da Promotoria, o diretor dos Serviços de Inteligência e Prevenção da Venezuela (Disip), citado sob o pseudônimo de "Arvelo", também tentou evitar que a origem e o destino do dinheiro fossem conhecidos. A documentação apresentada pela Promotoria permitiu que um júri federal dos EUA apresentasse acusações formais contra quatro venezuelanos - um deles foragido - e um uruguaio, acusados de atuar e conspirar neste país como agentes a serviço d Venezuela. Quatro dos acusados comparecerão a um tribunal de Miami no próximo dia 28 para serem julgados.

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