Argentinos fazem 1.º panelaço contra Cristina Kirchner

Setor agropecuário anuncia que continuará em greve por tempo indeterminado contra aumento de impostos

Efe,

26 de março de 2008 | 02h38

Centenas de pessoas saíram nesta terça-feira, 25, às ruas de Buenos Aires batendo panelas e frigideiras contra a presidente argentina, Cristina Kirchner. A manifestação ocorreu poucas horas depois da líder argentina anunciar que não negociará com os produtores agropecuários. As quatro maiores associações do setor agropecuário anunciaram que continuarão "por tempo indeterminado" a greve que já dura 15 dias. O motivo da paralisação são os recentes aumentos nas retenções sobre as exportações de produtos agrícolas.   Veja também:   Argentina adverte que reabrirá estradas fechadas por grevistas   Segundo as principais emissoras de televisão da Argentina, como América TV, canal C5N, Canal 9, Cronica e TN (Todo Notícias), os protestos foram os maiores contra Cristina e da administração anterior, a gestão do seu marido, Néstor Kirchner (2003-2007). Em zonas centrais da capital, como nos bairros residenciais Barrio Norte e Recoleta, centenas de moradores aderiram ao "panelaço", fecharam o trânsito e gritaram palavras de ordem contra a governante, enquanto outros acompanharam o protesto de suas sacadas.   Batendo panelas nas ruas de Barrio Norte, Naná, de 56 anos, e Jorge, de 60, disseram à Agência Efe que o protesto é uma maneira "pacífica" de demonstrar a "inconformidade" dos argentinos com o governo. Os dois também lamentaram o fato de a presidente estar "provocando uma divisão na sociedade argentina".  "Não sabemos o que vamos conseguir com isto, mas os 'panelaços' já derrubaram um presidente", lembraram eles, em alusão à renúncia de Fernando de la Rua, em 2001.   Já Andrea Palomas, de 42 anos, saiu às ruas para protestar "contra a política agropecuária" que está acabando com o campo. "A presidente quis pôr o campo contra a cidade, mas nós, na cidade, estamos do mesmo lado que o campo", disse. Por sua vez, Ingrid, de 26 anos, declarou que saiu para "protestar por tudo o que está ruim", "porque não é possível que as pessoas vivam sem dinheiro".   Cristina, que completou recentemente cem dias de mandato, anunciou que não cederá à "extorsão" dos produtores agropecuários. Dentro do país, milhares de produtores agropecuários apóiam o piquete convocado pelas quatro patronais do setor bloqueando estradas e promovendo paralisações.   Apoio ao governo   Em resposta às manifestações, o ex-presidente da Argentina e marido de Cristina, Néstor Kirchner (2003-2007) convocou para quinta-feira, em Buenos Aires, um ato em apoio ao governo e em repúdio à greve dos agropecuários, disse à imprensa o prefeito da localidade de Florencio Varela, Julio Pereyra. Depois de uma reunião com Kirchner, Pereyra confirmou a convocação para o ato, que terá Cristina como oradora.   Além do "panelaço" em diferentes bairros de Buenos Aires, protestos similares também foram registrados em algumas das principais cidades do interior do país, como Córdoba, Rosário, Tucumán e Mar del Plata.   "Nosso protesto é para ver se assim conseguimos uma discussão com esse governo, que não dialoga com ninguém. E se recusa a sentar para discutir com a gente também", afirmou Eduardo Buzzi, secretário geral da Federação Agrária Argentina (FAA). O ministro da Economia, Martín Lousteau, criticou, nesta terça-feira, a greve do setor agropecuário, que já provoca falta de alimentos nos supermercados do país. "Não vamos voltar atrás (...) Aqui, os produtores argentinos ganham 15% mais do que se ganha no Brasil", disse o ministro.   (Com BBC Brasil)   Matéria ampliada às 7h30.

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