EFE
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Arias confirma fracasso em diálogo sobre crise em Honduras

Mediador do conflito, Oscar Arias, anunciou o fim da negociação e pediu mais 72 horas para retomar conversas

AP,

19 de julho de 2009 | 19h19

O presidente da Costa Rica Oscar Arias confirmou neste domingo, 19, que o diálogo com as partes hondurenhas em conflito não frutificou em sua quarta jornada, mas anunciou que levará 72 horas para intensificar esforços a fim de obter alguma saída para o problema político. As negociações devem ser retomadas com novos representantes.

  

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Até o momento, as delegações do presidente deposto Manuel Zelaya e do presidente de facto Roberto Micheletti se retiraram das conversações, confirmando ambas que não houve resultado.

 

"Não foi possível chegar a um acordo satisfatório. A delegação de Zelaya aceitou integralmente minha proposta, mas o mesmo não ocorreu com a de Roberto Micheletti", disse Arias depois que falaram os representantes das duas comissões.

 

O mandatário da Costa Rica adiantou que levará 72 horas "para trabalhar de uma forma mais árdua para tentar conseguir um acordo... Pois, qual seria a alternativa ao diálogo?, perguntou Arias.

 

Anteriormente, o atual chanceler de Honduras e porta-voz de Micheletti, Carlos López, qualificou a proposta de Arias de "inaceitável", enquanto Rixi Moncada, do grupo de Zelaya, lamentou a decisão e confirmou que foram dadas por terminadas as conversações.

 

O ponto que provocou a suspensão das conversações foi o plano de sete pontos formulado por Arias, sendo que o principal deles prevê a volta de Zelaya ao poder até o final do mandato, em janeiro, e a constituição de um governo de coalizão e unidade nacional.

 

 López declarou à imprensa, após o fim da reunião na casa de Arias, que se desculpava com o mediador, mas sua proposta era "inaceitável, especialmente por seu ponto número um - a volta de Zelaya ao poder.

"Sinto muito, mas as propostas são inaceitáveis para o governo constitucional de Honduras que eu represento", disse em uma declaração pública diante dos jornalistas.

 

López insistiu que o governo de facto liderado por Roberto Micheletti "representa a vontade geral, toda a institucionalidade jurídica e exerce o controle pacífico em todo o território".

 

"Não é um governo de facto nem fruto de um golpe de Estado", afirmou o representante do executivo que detém o poder desde o dia 28 de junho, quando os militares invadiram a casa de Zelaya e o enviaram de pijamas para a Costa Rica.

 

O mediador afirmou que nos próximos três dias tentará convencer Micheletti para que aceite sua proposta e se obtenha uma solução pacífica para o conflito. Arias manifestou seu temor de que se não houver uma saída na mesa de negociações, uma guerra civil e "um derramamento de sangue podem ocorrer, e isso o povo hondurenho não merece".

 

A ex-ministra da Energia e líder da delegação de Zelaya em San José, Rixi Moncada, lamentou a "intransigência do governo de facto", que se nega a acatar os chamados da comunidade internacional para que Zelaya volte à presidência de Honduras.

 

Rixi ressaltou que sua delegação aceitou "de boa fé" o processo de diálogo e que apesar da negativa da comitiva de Micheletti mantém sua disponibilidade diante do mediador.

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