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Arias teme Honduras isolada se crise não acabar antes do pleito

Mediador do impasse entre Zelaya e Micheletti, presidente da Costa Rica não diz se reconhecerá resultado

Efe,

04 de outubro de 2009 | 14h17

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, teme que se a crise de Honduras não for solucionada antes das eleições de novembro, a comunidade internacional não reconheça o resultado eleitoral e o país fique isolado.

 

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"Pior que pode ocorrer é a falta de um clima de tranquilidade no processo eleitoral em novembro", disse o presidente costarriquenho e mediador do processo em entrevista ao canal Univisión exibida neste domingo, 4. "Não se pode transformar Honduras em uma espécie de Albânia centro-americana", acrescentou.

 

Alguns países já afirmaram que não reconhecerão o presidente eleito no pleito de 29 de novembro, até a recolocação de Manuel Zelaya ao poder. Como mediador Arias não quis dizer se reconhecerá o resultado.

 

Em sua opinião, os mais interessados em sair da situação são os próprios candidatos porque se a comunidade internacional não reconhecer o ganhador, também não retomará o auxílio a Honduras, congelado por países europeus e dos Estados Unidos desde a deposição.

 

Arias lamentou a paralisação das negociações do Acordo de San José, que prevê a restituição de Zelaya antes das eleições por falta de vontade para dialogar e principalmente pelo governo de facto resistir em admitir essa falha.

 

Arias fez ainda duras críticas à constituição hondurenha, que estudou para redigir o Acordo de San José. "Nenhum povo, muito menos o hondurenho, merece uma constituição que não permita o controle político e que a única alternativa seja dar um golpe de estado", afirmou Arias, adiantando a necessidade de modificação diversas cláusulas da carta magna.

 

Arias deseja que a visita da Organização dos Estados Americanos (OEA), com a presença de vários chanceleres nesta semana, possa contribuir para o avanço do diálogo. Neste sentido lembrou que "os problemas hondurenhos devem ser resolvidos entre eles", e se mostrou contrário a interferência do Conselho de Segurança da ONU por considerar que o conflito de Honduras não abala a paz e a segurança do mundo.

 

O Brasil pediu uma reunião urgente do Conselho após os enfrentamentos entre as forças de segurança e os seguidores de Zelaya depois que o presidente retornou a Honduras e se instalou na Embaixada brasileira em Tegucigalpa.

 

Arias admitiu ter se surpreendido com a volta de Zelaya a Honduras e reiterou "a necessidade do diálogo entre as partes, como fizeram os presidentes centro-americanos há 20 anos, apesar das grandes diferenças ideológicas", o que lhe valeu o prêmio Nobel da Paz 1987.

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