Às vésperas de referendo, Evo nacionaliza British Petroleum

Presidente boliviano alega que petrolífera 'não respeitou as normas'; no domingo, país vota nova Constituição

Efe,

23 de janeiro de 2009 | 18h35

O presidente da Bolívia, Evo Morales, nacionalizou nesta sexta-feira, 23, por meio de um decreto, a empresa petrolífera Chaco, filial da British Petroleum (BP), após o fracasso das negociações para se alcançar um acordo sobre esta operação. Junto com altos comandantes militares, policiais, vários de seus ministros e líderes sindicais e indígenas, Evo assinou o decreto de nacionalização na jazida de gás Carrasco, que fica no departamento (Estado) de Cochabamba (centro). Veja também:Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da BolíviaEvo lança jornal estatal a três dias de referendo A decisão do presidente da Bolívia foi anunciada a menos de 48 horas para o referendo sobre a nova Constituição promovida pelo governo para "refundar" o país. O decreto estabelece que a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) assume o controle de todas as ações que o grupo BP detinha através da Pan American Energy (PAE), cuja sede fica na Argentina. As transnacionais detinham 50% da Chaco, participação que agora passa às mãos do Estado boliviano, o que concede 99% desta companhia à YPFB. A Chaco, que opera aproximadamente dez campos de gás na Bolívia, anunciou recentemente que investiria US$ 64 milhões para aumentar a produção do hidrocarboneto no país. A nacionalização da petrolífera, acompanhada de presença militar no campo de Carrasco, foi decidida após a falta de acordo entre o Estado boliviano e os acionistas da Chaco, que não aceitaram as condições impostas pelo governo em 2006. "Lamentamos muito que algumas empresas petrolíferas não respeitem as normas bolivianas", disse Evo, em alusão à suposta falta de vontade da companhia de aceitar os decretos de nacionalização. O presidente destacou que as empresas petrolíferas que acatarem as decisões do governo serão "bem-vindas e seu investimento será garantido", mas, caso contrário, o Executivo intervirá nelas. A nacionalização de várias empresas transnacionais petrolíferas começou em maio de 2006, mas a medida ainda não tinha sido cumprida no caso da Chaco. Após esta operação, o Estado boliviano controla cinco empresas petrolíferas: uma refinaria comprada da Petrobras, a produtora Andina, associada à Repsol YPF; uma transportadora de gás e petróleo (Transredes), uma companhia de logística e armazenamento (CLHB) e, agora, a Chaco.

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