Assembléia da Bolívia votará nova Constituição

A Assembléia Constituinte da Bolíviaconcordou em se reunir no sábado para votar, artigo por artigo,o projeto constitucional que está causando grandes divisões eprotestos violentos no país andino. Entre as reformas polêmica que a assembléia poderá aprovareste fim de semana estão artigos que prevêem que presidentespodem ter mais que um mandato consecutivo, a transformação doLegislativo bicameral em um Parlamento com uma única câmara, emaior autonomia a comunidades indígenas e províncias. A diretoria da Assembléia disse em um comunicado queconvocou os delegados para uma reunião na noite de sábado nacidade de Oruru, duas semanas depois dos protestos violentos deSucre --base original da assembléia--, que deixaram doismortos. A Assembléia é controlada por aliados do presidente deesquerda, Evo Morales, que têm por objetivo dar maior poder àmaioria indígena da Bolívia, depois de séculos dediscriminação. O trabalho da Assembléia está estagnado há mesespor causa dos temores de violência. Há duas semanas, os delegados encontraram-se sob forteproteção militar e aprovaram um projeto constitucional emvotação boicotada pela oposição. A votação causou protestosviolentos em Sucre e uma greve geral em seis das noveprovíncias do país. Uma vez que a Assembléia concorde com os artigos da novaConstituição, ela deverá ser submetida a um referendo popularpara aprovação final. Delegados de oposição disseram que não comparecerão àAssembléia. Mas delegados do partido de Morales e aliadospoderão provavelmente reunir o quorum necessário de 170 membrospara a votação na Assembléia de 255 assentos. Morales tornou-se o primeiro presidente indígena da Bolíviaem janeiro de 2006, dando fim ao domínio político de uma elitemajoritariamente branca, que teme que as reformasconstitucionais ameacem suas propriedades. Sua primeira grande reforma foi nacionalizar os poços degás natural da Bolívia, o que forçou companhias estrangeiras aentregar uma fatia muito maior de seus lucros. Argentina eBrasil passaram a pagar mais caro pelo combustível boliviano. Mas sua meta de reformar a Constituição enfureceu aoposição. Os críticos de Morales temem que as mudanças serãousadas para concentrar o seu poder. Morales é aliado do presidente venezuelano Hugo Chávez,cuja reforma constitucional foi derrotada por uma pequenamargem em um referendo na semana passada. Outro aliadoideológico, Rafael Correa, do Equador, também pretende realizarreformas na Constituição de seu país.

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