Assessor de Cristina Kirchner é indiciado por corrupção

Patrimônio oficial declarado pelo secretário pessoal da presidente argentina cresceu 665,14% em 6 anos

Ariel Palacios, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2009 | 08h49

Um dos secretários pessoais da presidente Cristina Kirchner, Fabián Gutiérrez, foi denunciado na Justiça por um suspeito enriquecimento exponencial de seu patrimônio desde 2003, ano em que Néstor Kirchner tomou posse como presidente da Argentina.

 

O patrimônio oficialmente declarado pelo secretário passou de 52.590 pesos (US$ 18.134 na época), há seis anos, para os atuais 402.392 pesos (US$ 104.517). O aumento de 349.802 pesos (US$ 90.857) equivale a um crescimento líquido de 665,14%. A denúncia de suposto enriquecimento ilícito foi feita pelo advogado Enrique Piragini ao juiz federal Claudio Bonadío, que decidiu convocar Gutiérrez para prestar depoimento nesta semana.

 

O escândalo sobre o aumento patrimonial oficial do secretário da presidente - solteiro, de 36 anos - surgiu quando a imprensa, no fim de semana, divulgou que Gutiérrez possuía uma luxuosa casa na cidade patagônia de El Calafate, o refúgio predileto de Cristina Kirchner e seu marido e antecessor, o ex-presidente Néstor Kirchner.

 

A casa de 480 metros quadrados cobertos e piscina aquecida, segundo Gutiérrez afirmou ao jornal "Clarín", não valeria mais de US$ 300 mil. Mas, segundo denúncias da imprensa na província de Santa Cruz, onde está El Calafate, a casa valeria US$ 1 milhão. Quando desembarcou em Buenos Aires há seis anos, Gutiérrez não possuía um imóvel sequer. Atualmente, segundo sua declaração de bens, é o dono de quatro terrenos em Santa Cruz, dois apartamentos em Buenos Aires, um jet-sky, além de depósitos bancários.

 

Nos últimos anos surgiram diversas denúncias que apontavam o crescimento acelerado e substancial dos integrantes de "La Pingüinera" ("A Pinguineira", tal como é denominado o grupo de patagônios que os Kirchners levaram para Buenos Aires quando chegaram ao poder) desde que instalaram-se na capital do país em 2003. Os próprios Kirchners estão sendo investigados pelo crescimento de 572% em seu patrimônio desde 2003. Só em 2008 a fortuna do casal cresceu em 158% em comparação com sua declaração de bens de 2007.

 

Frota presidencial

 

O jornal "La Nación" denunciou na segunda-feira que o governo da presidente Cristina determinou a ampliação da frota presidencial, atualmente composta por três aviões (um deles, o Tango 01, conta até com cadeira de cabeleireiro, além de um banheiro com torneiras de ouro folheado) e três helicópteros. A ampliação implicaria no acréscimo de oito aviões e dois helicópteros privados.

 

Nunca antes um presidente da República na Argentina contou com tal volume de aparelhos para o transporte aéreo. Nos últimos meses foram frequentes das denúncias de usos não convencionais dos aparelhos da frota presidencial, que realizam viagens só para transportar parentes da presidente (sem cargos no governo), jornais de Buenos Aires (para que a presidente possa ler a edição em papel quando passa os fins de semana em El Calafate), além de artigos de decoração da casa dos Kirchners na Patagônia.

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